domingo, 17 de junho de 2018

Hoje vou morrer


Hoje vou morrer
Ontem, completei cem anos
Não lembro quem me plantou
Não esqueci da mãozinha que me regou
Todos os dias, no mesmo horário
Aquela delicada menininha
Trazia latinhas de água
Jogando na terra seca
Aquela água fria, pela terra escorria
Nas minhas raízes chegava
O tempo foi passando
Nós dois, juntos,crescemos
Se não fosse seu carinho
Dificilmente teria vivido
Alguns anos se passaram
Crescemos, amadurecemos e frutificamos
Belos e maravilhosos frutos produzimos
Os seus, de baixo de minha sombra cresceram
Adultos se tornaram
Foram embora para estudar
Muita saudade senti
Raramente nas férias apareciam
Sinto saudade das cócegas produzidas
Pelos seus pezinhos e mãos
Subindo pela minha galhada
Continuei com a companhia
Da minha amiga e protetora
Primavera e verão passaram
Para ela, os anos se mostrarem
Para mim, foram indiferentes
Fiquei maior, mais forte, vigorosa
Para minha companheira foi difícil
Acompanhei seu namoro
Festejei seu casamento
Embaixo do meu abraço,
Refresquei o sono de seus filhos
Ouvi seu choro quando partiram
Fui seu terapeuta nos momentos difíceis
Vi sua alegria, e comemorei
Assim como sofri com sua tristeza
Chorei quando o Pedro caiu dos meus braços
Quebrando o tronco em dois lugares
Até pensaram em me cortar
Momentos que compartilhamos
Um dia seu amado partiu
Por anos ouvi seu lamento
Até o dia em que também nos deixou
Pra mim foi o dia mais triste da vida
Minha amiga, companheira e protetora
Se foi
O vazio, a solidão, coisas que não conhecia
Começaram a fazer parte dos meus dias
Noventa e seis anos
Completou no dia em que viajou
Seus filhos, netos e bisnetos
Que pouco vinham
Apareceram indiferentes a tudo
Voltaram para seus lares
Ficando distantes por um grande período
Este ano retornaram
Resolveram vender a velha casa
Uma grande empresa comprou
Para construir um grande empreendimento
No projeto
Não cabe a velha casa e este pé de manga
Hoje a empresa de demolição vai derrubar a nós dois
Eu, e a velha casa da minha amiga

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Golpe Militar de 64 Bonito no cenário da ditadura


Esta semana, vendo no face alguns comentários pedindo a volta do governo militar e os posts, sem fundamentos, compartilhados por desavisados, que não têm noção da importância da liberdade, lembrei de uma passagem vivida por mim em plena perseguição aos inimigos comunistas.

Morávamos na casa Monteiro, onde hoje é Alegra e Armazém do João, meu pai era o funcionário que cuidava da loja e da bomba de gasolina, a única da cidade. Estávamos dentro da loja, logo após o golpe militar quando de repente aparece um monte de periquitos armados de fuzil. Estavam na sagrada missão de prender os famigerados Comunistas Bonitenses. Já haviam prendido toda a cúpula dos revolucionários vermelhos, os “comedores de criancinhas”. Por favor não confundam com pedofilia! Estavam todos nos caminhões, amarrados e guardados por 2.500 canhões.

Agora, por favor fiquem sentados.

Nosso amigo Boca, lá pelos seus doze anos, fazia parte do S.B.I (Serviço Bonitense de Informação). Pegou emprestado o celular do Liel Jacques e ligou para Brasília para fazer a denúncia, colocando Bonito do mapa dos abusos dos Direitos Humanos.
Depois de cinquenta e quatro anos da prisão dos revolucionários comunistas, alcaguetados pelo já famoso eleitor do Trump e do Le Pan, nosso amigo Boca, que por sua vez é filho do alcaide Zezinho, que também era comunista.
Este é o motivo do Boca ser traumatizado até hoje!

Deixa, nós já o perdoamos! Nós comunistas.

Estando eu com sete anos de idade, como todo ser humano, também nasci curioso, fui ver de perto (pois sabia que um dia alguém teria que contar esta história) quem eram os comunistas. Nem sabia o significado desta palavra. Acredito que nem os presos sabiam. Vi o rosto de todos, mas o tempo apaga algumas imagens da memória, esqueci o nome de dois. Como sou amigo do filho de um deles, sendo este mais novo que eu, ainda um guri, tive a felicidade de encontrá-lo na lotérica. Estávamos na fila dos jovens. Graças a este encontro consegui os nomes que faltavam e ainda mais subsídios para escrever estas memórias. O guri é o nosso Luiz Trelha Falcão.

Agora vamos aos nomes dos vermelhos:

Comunista 01 - Osterno Prado de Souza, codinome de guerra Taika, único sobrevivente.
Se cuida Boca, o homem está solto e mais perigoso!

Comunista 02 - Amantino Costa Leite.
Sirlei acredito que esta você não sabia!

Comunista 03 - Lapa Neto, Agente dos Correios.
Desaparecido, no tempo.

Comunista 04 - Codô, pai do nosso amigo Luiz, comerciante, não estava em casa quando procurado. Tinha ido na fazenda do Quintino Soares, hoje Fazenda Trevo, levar algumas mercadorias. Não tiveram dúvidas, levaram o vermelhinho Luiz, com seus dezessete anos como refém, para trocar pelo perigoso Codô. Provavelmente o chefe da Célula Vermelha!

Entre o balneário e a cidade o encontraram. Vinha ele no seu Corcel Branco. “Pelo menos nos filmes é um cavalo branco a montaria do mocinho”. Esquece os filmes vamos a história! Cercado pelo nosso glorioso exército, Codô se entregou e foi feita a troca, Luis assumiu a rédea do cavalo e seu pai preso.
O velho comunista preso, o comunistinha volta pra cidade livre cavalgando seu corcel.
Diz a lenda que ele fez o percurso do morro da santa até a cidade em três minutos, não posso afirmar nada só tinha sete anos.

Depois da limpeza comunista na cidade o comboio segue para Jardim, entregar os prisioneiros na CER 3. Uma base de Engenharia do Exército. Acredito que já existia antes do, para mim, golpe e para o meu amigo Boca a grande revolução. Acredito eu estar certo, te cuida que o Taíka ainda te pega!
Chegando a prisão, com os comunistas bonitenses, nunca esqueçamos, homens perigosos à segurança da pátria, um dos nossos rapazes se depara com uma figura muito conhecida e respeitada em toda a região. Um grande comunista Jardinense, tristemente agarrado as grades da cela e com muito medo, pois ninguém sabia o que estava acontecendo, o querido e amado Dr. Reinaldo. Quando o nosso desligado comunista Bonitense fala para ele “E aí camarada como está?” Nosso querido médico já desesperado grita: “Camarada teu c.. seu filho da p...”. Gritando mais uma dúzia de palavrões em português e guarani.
Após o interrogatório, sem pau-de-arara ou choques, foram liberados pois eram pessoas comuns e nada tinham de comunistas.

Aos sem noção que vivem dizendo, passei o regime militar e não sofri nada, só tenho a dizer:
Vão deitar lombos sujos!


Obrigado Luiz, temos que conversar mais!
O Boca não é dedo duro, o cérebro é, não podia deixar ele em paz!
A Nizete, uma das mulheres da minha vida, é filha do Codô!

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

BRASIL E MARUM




Nestes anos que estamos passando,  algo muito estranho aconteceu em nosso país, voltamos séculos no tempo e retornamos a Idade Média. Resgatamos os Tribunais da Inquisição, o brasileiro saiu da inércia, e em um salto virou Juiz e Algoz, produzindo sentenças e as executando. A diferença que temos com a inquisição é que nossa ignorância e maldade é maior, não perseguimos, julgamos e condenamos em nome de Deus, e sim em nome de uma ideologia política, uma sigla um status social, uma sociedade que sempre foi conivente com seus interesses de classes.

A esquerda, Filosófica, tem solução para todos os problemas da pátria, projetos fantásticos, necessários, urgentes, mas, olhando somente os alijados das oportunidades da sociedade, esquecendo que hoje o capital move a humanidade.  Acredita e briga pela educação, saúde e oportunidades para os excluídos, seus pensadores são fantásticos, sábios, humanos (nem todos), conhecem a pobreza, a miséria e o abandono dos necessitados (milhões) se envolve emocionalmente com este público e realmente se preocupam em achar solução para este genocídio, que é o grande entrave a vida e a evolução de nosso país, só que também são desonestos com aqueles que querem ajudar, em defesa de seus projetos e sonhos vendem a alma ao Diabo. Apoiaram e apoiam todos os erros cometidos por seus governantes, defendem abertamente e sem vergonha na cara todos os seus ladrões, pois fizeram muito pela sociedade excluída, é o argumento, concordo, nunca vou discordar, mas o fim não justifica os meios (rouba, mas faz). O Filósofo, o Sábio, é humano, utópico, não é administrador. Cria mas não consegue executar, precisa de ajuda, mal consegue cuidar da própria vida, mas está correto em amar e se preocupar com o próximo, ele é o legitimo cidadão, precisa de alguém para executar os projetos. Aí entram os lobos em pele de cordeiro, os aproveitadores de sonhos e necessidades, deturpam tudo, pois precisam de dinheiro e apoio para se manterem no poder, nós conhecemos e vivenciamos esta história, mas se prostitui a ideia e o pensamento quando se defende esta corja (a esquerda não nasceu da inveja ou do ódio, e sim pela necessidade de respeito à dignidade humana).

E a direita lógica, como se comporta? O direito, liberdade e respeito não é para todos, o pobre abandonado e excluído é um transtorno para a sociedade, é o peso morto que carrega com o imposto que paga, paga? São os sugadores do sangue da pátria, não produzem nada e querem tudo, só os meus merecem, a escória, o resto, se sobrar! Faculdade pra quê? dinheiro jogado fora! Lutaram, foram às ruas, bateram panelas, sujaram e ofenderam o verde amarelo da Bandeira, usado como um uniforme de combate de uma guerra suja, tendenciosa e hipócrita. Criaram um ódio sem precedentes na história, para hoje depois de todos os escândalos estarem quietos, omissos e recolhidos como cordeiros para o abate e aplaudindo uma grande matilha, pois os lobos são eles e deles. Não se esqueçam que quando foram as ruas e levaram seus filhos, mentiram para eles, falaram verdades que não existiam, hoje estão quietos apoiando o que está acontecendo. Qual é a desculpa que dão? Já pensou no estrago do caráter deles? Que homens serão amanhã?
Agora chegou onde queria, depois de todo acontecimento, da vergonha que estamos passando, pois o mundo ri de nós, um povo que quer ser alemão e não consegue ser argentino, Los Hermanos, extirparam seu câncer usando a arma da democracia, que se chama voto, acredito que poucos de vocês sabem pra que serve. Hoje estão todos unidos, esquerda direita contra. Não estão contra o que está acontecendo no Congresso, no Supremo, mas sim contra uma pessoa, um político, que tudo que faz, vai contra a minha maneira de pensar, não votei nele, não gosto do seu partido, não concorda em nada com suas defesas, mas respeito sua coragem e lealdade.

Estou falando do deputado Carlos Marum, o gigante do PMDB em tamanho e coragem, a direita e a esquerda o odeiam, mas ele é um dos poucos políticos brasileiros que tem a coragem de dar a cara a tapa, assumiu um compromisso e vai lutar até o ultimo dia. Qual a diferença dele para todo o congresso, assembleias legislativas, câmaras municipais, ele assume, põe a cara a tapa, defendendo o erro sim, mas tem coragem e um compromisso assumido. Quantos milhões de brasileiros estão ao nosso lado, dão o tapa e escodem as mãos? Estamos nesta situação somente por culpa dos políticos? Vamos tentar ser decentes e racionais, lutar por um pais maior. Se começarmos em vinte anos seremos uma Argentina, em trinta um Chile, em quarenta uma Bélgica, em sessenta uma França, e em oitenta uma Alemanha, que é o sonho de todo mundo. Somos tão incompetentes que vivemos esperando milagres, a moda agora são os Lobos vestidos de Cordeiro que estão surgindo como os salvadores da pátria. Vamos criar uma nova geração de sugadores piores que os que aí estão! Estes estão vestidos de bonitinhos, honestos e sérios. Estes não tem alma e nem coração.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Mordi a língua no tronco

                              O velho e o novo, Cantando Bonito ou Canta Bonito
                                                  

                              No início não acreditei em um grande espetáculo estrelado por nossos artistas, esperava algo comum, normal sem grande surpresa, assisti um ensaio na Praça da Liberdade e não na praça das piraputangas, nada de diferente do que costumo ouvir eles todos os dias, qual a surpresa e alegria quando o show começou, tive a felicidades de sentar ao lado de pessoas que gosto muito, Luiz Falcão, Maria Alzira e seu irmão Mario da Romilda, como o Luiz e a Alzira pouco saem para as baladas, não conheciam nossos artista e então tive o privilégio de apresentar todos para ele, conforme ia apresentando ia ficando emocionado, pois nós estávamos voltando no tempo, no palco estavam meninos representando boa parte da história de nossa cidade, pois seus antepassados fizeram Bonito. Nunca imaginei que a união dos descendentes dos pioneiros, com os novos bonitenses, formaria uma Banda maravilhosa, capaz de emocionar e levantar a plateia, sentir o coração bater forte de alegria e orgulho, se não foi o melhor momentos dos 18 festivais, foi um dos melhores, como se diz no popular *Lavar a Alma*, olhando o palco se via um pedaço de Bonito, nele estavam jovens músicos representando algumas das famílias que escreveram parte da nossa história, juntos com novos bonitenses que estão fazendo bonito, já estão escrevendo no livro da cidade. Vi no palco ÁLVARO CAVALHEIRO, o neto e o avô, a bisavó dona Tina, não tive o prazer de conhecer Sr. Hortêncio, Zé cavalheiro lendo um gibi, cem anos de vida em Bonito. EDUAN COELHO, encontrei meu amigo de criança, Durval Coelho, os dois únicos vermelhos da cidade, a menina Ester sempre faceira, Dilmar meu amigo esquerdista. VINICIUS, com seu vozeirão, orgulho do João Candido e do Ulisses Guasca, orgulho da sua mãe que o deixou cedo demais, Geraldo com certeza estava com a Emidia em um canto escorrendo umas lagrimas. ALEXANDRE XAVIER, cantando em inglês, emocionou os Perós, que não são Perós, mas sim Xavier Ribeiro, coisas da tataravó que casou com o Pedro e não sabia pronunciar o nome, era índia, assim nasceu João Xavier Ribeiro, depois seu filho Mario, nosso violinista, que casou com Edir, que teve a Carmem, mãe do Alexandre, bisneto da Vó Andradina e Hilário Sanches, casal que recebeu e acolheu em sua casa o Sinhozinho, não esquecendo do pai do cantor o cuiabano Odair Popó. ISAQUE, da Guiomar, neto do Osvaldo Trelha, lembro dos banhos de formoso em sua fazenda quando era criança. JEFERSSON, o boi, desculpa a liberdade, voltei no tempo vi seu Romário, saudades do Noedir homem único, Bita companheira de luta, não conheci ou não lembro do Sr Ozorio, um Bonito de emocionar. JOSEMAR, neto do Henrique e Adelaide Zanuncio Trindade, filho do Ataíde e Verissima, que tem o sangue musical dos nossos vizinhos paraguaios, Zanuncio e Trindade, nomes da nossa história. MARIEL FLORES, neto do seu Miro, filho do Marinho Botafogo e da Maria do Manoel Cruz, famílias que sempre fizeram Bonito. Agora chegamos no novo, os novos bonitenses, que já estão escrevendo Bonito, JOÃO MOREL, o caçula, outro sangue bom, bonitense paraguaio filho da Luzia Cristina Morel, neto do paraguaio Florêncio Morel, veterano da guerra do chaco. TIAGO PERES, sempre fui fã das suas músicas e da sua coragem, hoje muito mais, Filho do Gilberto e Helena, você tem a garra de um grande guerreiro, vamos sempre tentar, acreditar e seguir em frente, vamos vencer. VITORIO, filho de Miguel Alves Machado e Maria Conceição da Cruz, não nasceram em Bonito mas escolheram aqui para criar os filhos, feliz na escolha do samba, Viver e não ter vergonha de ser Feliz, é Bonito é Bonito com toda razão. GIOVAN COUTINHO, conheci pequeno, filho dos meus amigos Nilton Coutinho e Bete de Marco Coutinho, não nasceram aqui, mas escolheram para viver e ter alguns filhos, os últimos são bonitenses, muito bom ter vocês, estão ajudando a escrever alguns capítulos do nosso livro.
PH, filho do nosso capitão Wilson, escolheu Bonito para ser feliz, PH, hoje você poderia estar em São Paulo, teve oportunidades, mas escolheu voltar para nossa cidade para ajudar nossos jovens, passando o conhecimento que adquiriu, nosso professor, conheceu uma menina de família centenária e já é um pai bonitense, obrigado por ter voltado. GOGA PENHA, realização e alegria no palco, uma criança feliz filho do Mario da Sucam e Eliza Penha, teve oportunidade de ficar fora, mas resolveu voltar e fazer a diferença. MORGANA, a magia das Brumas de Avalon, subiu ao palco para cantar uma música maravilhosa que nasceu através de uma carta de amor, escrita pára uma namorada que tinha se mudado para SP, ele poeta apaixonado não aguentando a saudade foi atrás, chegou junto com a carta, a amada disse para fazer uma música, palavras ditas para mim aqui no tapera, você é muito especial, tanto que fiz questão de ter você no lançamento do livro da minha amada, obrigado, agora o ultimo personagem deste espetáculo maravilhoso, KALU filho de José Carvalho do Nascimento e Maria do Carmo Alves de Carvalho, tua mãe me contou uma história há muitos anos, disse ela que quando você nasceu era muito chorão, só se acalmava quando ela colocava um microfone na sua mão, assim começou uma vida de amor a música, obrigado por ter vindo para Bonito, obrigado por agregar tantos talentos em um só espaço, vocês fizeram história, escreveram um capitulo muito importante no livro de Bonito, este dia será lembrado, foi um espetáculo único, como disse no título, mordi a língua no tronco, sou um cara feliz quando mordo a língua, pois quando acontece algo de bom a cidade ganhou.

                                 Parabéns, povo feliz cidade orgulhosa a todos vocês, não se superaram, fizeram o que sabem fazer, de maneira séria e profissional, estamos felizes e orgulhosos, minhas desculpas.

sábado, 19 de novembro de 2016

Quem roubou o Festival da Guavira?


                 Pena que esqueci as palavras magicas, senão voltaria no tempo, exatamente para meus oito anos, quando o grupo, era onde hoje funciona a Câmara de Vereadores, funciona? A professora Maria Jurima, era a diretora, e as meninas, Enir Cezar, Osvaldina, Ester, Honorina, Maria Alzira, Aidacir eram as professoras, Emiko, a supervisora, desculpe a chinelada, foi sem querer, só fui sacudir a poeira, a Dora na cantina.
                 Preciso encontrar vocês e os outros da época, algo muito ruim aconteceu, agora no tempo atual, roubaram o Festival da Guavira, temos que encontrar o culpado ou os, não posso acusar ninguém, mas tenho vários suspeitos, Gimpia, Capi, Baja, Nilson Dentista, não me acompanhe que não sou novela, Silvino Jacques, Sinhozinho, Alemão Pestana, mediu toda a região, Onofre, virava Lobisomem lá no João Batista, toda lua cheia, o Boca jura de pé junto que viu, também tem a Mula sem Cabeça, o Pé de Garrafa, o Saci-Pererê, a assombração do velho Paço, onde tomávamos banho, existem outros suspeitos que não posso falar o nome, são perigosos, atualmente.
                  Sei que voltando ao grupo, vou encontrar apoio, posso contar com a ajuda do: Lã, Eugênio, Dela, Julinho, Toto, Faete, Gleair, Joãozinho da Lindóca, Pedro bugre, o pai conhece todos os que já viajaram, Tadeu Trelha, Oderi, por que eles?, não sabiam, gostam de uma arte, vão ajudar muito, mas, não é suficiente, o perigo é grande, vamos precisar de logística, na época esta palavra ninguém conhecia, hoje move o mundo.
                 Preciso da coragem dos arteiros, mas também da sabedoria dos mais velhos, precisamos dos nossos notáveis, Professor Rufo, com seu olhar serio, armado com sua palmatória, abre o bico de qualquer informante, o Moro, estudou com ele, o Taika, se a Naidinha deixar, faria os interrogatórios, seu Artirio faria as armadilhas, Leomano com sua coragem pegaria onça pelo bigode, não posso esquecer da Legião Estrangeira, Takero, sabedoria oriental, Dom Morse, traria a C.I.A, Enzo Camajolli, José Eugênio de Zaya, Leon, como bom francês, comandaria os estrangeiros, espera ai, porque todos eles foram parar no alto da Serra da Bodoquena, nunca tinha pensado nisso, deixa pra la, tenho coisa mais importante pra me preocupar, o Mateus Muller, armaria a todos, epa, outro estrangeiro, o Homerinho se não tiver namorando pode ajudar, Doutor Perereca também. A brigada anti terrorista se não estiver trabalhando também é uma ajuda importante, essa vocês não conhecem, o Ate vai, se o Taika for, esqueceram? A ultima palavra é delas, se o Astrogildo não tiver no Pantanal, a ajuda é certeza, o Natalino não vem, o Bijo também, ta escrevendo, o Vasco, não ajuda, pode sujar o terno branco de linho, o Liél esta no Céu Azul, não vai querer voltar, o Zezinho sei que vai estar cuidando dos feridos, o Mozart, fara o registro do acontecido, o Aurestes, ajudara na estratégia, gosta de jogo, o Ramão Gomes, só vai se tiver um charuto, ajuda a relaxar, Biligão, vó Andradina não podem sair, crianças estão chegando, Starde, não pode, combinou de pegar cana do Nenê Guedes. Pela mordida o Déga e a Nadir, descobrem qualquer bandido, O Zanella e o João Farias sumiram, o padre José, ta em Jardim não pode ajudar, a brigada calça Estrela do Sul, doação do Américo. O quartel General sera no hotel do seu Silvio, se acabar  cobertor uma garrafa de oncinha substitui, o Turco Elias ta no pantanal benzendo a fazenda do Felisbino, meu avô Adico talvez viu alguma coisa, passa o dia na janela, o Zé Bahia, ta viajando, turco Antonio não gosta de guavira, notaram que separei os turcos do pessoal da Legião, da morte.
                 Como é bom ter a Maquina do Tempo, poder viajar, voltar ao passado, encontrar pessoas maravilhosas, ver o Délio e Délinha, cantando pro Josias Pinheiro, assistir a uma conversa do Alvaro Cavalheiro com o Aristides Pinheiro, organizando a festa de casamento dos seus filhos, como era lindo o meu mundo, cresci e tudo mudou, como as pessoas se transformaram, com certeza estes meus personagens, do passado, veriam com outros olhos um evento tão importante para sua comunidade, para o cidadão bonitense, enfim só se sobrou saudades. obrigado por terem existido na minha vida. 



domingo, 9 de outubro de 2016

DESCULPEM, NÃO FALO INGLÊS!





Peço desculpas, aos cultos, inteligentes, estudados, capacitados, competentes.... Eu não sei falar inglês. Nem deveria estar me dirigindo a vocês. Novamente peço desculpas.
Assim como disse o desconhecido Ariano Suassuna, o mundo é dividido em quem foi a Disney e quem não foi.

Eu e ele não fomos.

Talvez ele também não fale inglês, deixe pra lá.  É apenas um ignorante desconhecido.
Esta semana tenho acompanhado no Facebook comentários detonando nosso Alcaide, por ter marcado uma viagem à terra do Tio Sam, para representar Bonito em um evento de turismo. Pelo que entendi, evento em que a EMBRATUR, estará participando, com todo seu aparato técnico, inclusive interpretes. Mas um assunto levantado chamou minha atenção, “O prefeito fala inglês?”
Final de mandato e não fala inglês?

Inadmissível!  

Como pode existir em pleno século 21 uma pessoa assim?

É uma vergonha! Não me representa!

Fiquei com muita vergonha, pensei muito, até ter coragem de me dirigir a vocês, pessoas que falam inglês. Peço desculpas novamente por ser tão ignorante e ter um prefeito analfabeto em línguas estrangeiras, mas sei com certeza que ele é fluente em Guarani,  Terena e Kadiwéu. Mas não fala inglês? Entendi então que ele somente pode viajar vendendo Bonito, em feiras da FUNAI, mas deixa pra lá, isto não interessa mais,  já temos outro prefeito.

Pera!

Aí temos um problema! Ele  também não fala inglês, somente Guarani. Nasceu em Porto Murtinho, (tamo fudido) desculpem só estou falando besteiras, vamos ao que interessa, ou não?
Fico imaginando minha vida, nasci em uma casa muito pobre, onde seis dormiam no mesmo quarto. Pais e quatro filhos. Vergonhoso, né!?  Se fosse hoje, segundo dizem os que falam inglês,  tem que esterilizar após o nascimento do primeiro filho, pobre só pode ter um filho.  Bem  eu sou o terceiro, putz escapei! 

Me formei em Direito em 82, no mesmo ano me elegi vereador,  o segundo mais votado, acreditem se quiserem. Em 85 comecei a idealizar o Parque Nacional da Serra da Bodoquena, quando ninguém sonhava com preservação. Abri os passeios do Rio do Peixe e Sucuri, denunciando e combatendo as lavouras que assoreavam o último. Venci esta batalha com ajuda dos Promotores Haroldo e Givaldo. Na década de 90 criei SOZINHO, o Voucher Único, que se tornou um dos maiores exemplos de modelo de gestão. não do MS, mas do Mundo. Na década passada, 2000, criei também sozinho o Festival da Guavira.  

Futuramente, quando os “entendidos” de plantão, ou os “bola da vez”, como Bonito sempre atrai, entenderem será um dos maiores projetos de desenvolvimento sustentável deste País. Novamente um filho meu será referencia mundial.

Ahh! Também sou poeta! Tenho dois livros publicados e mais dois no forno. A cada década crio algo importante para Bonito,  mas..... não sei falar inglês. Se por acaso algum dia me convidarem para viajar para falar de algo que criei, com certeza não  irei. Não falo inglês. Pedirei para algum de vocês ir no meu lugar, pois, falar inglês e besteira é muito mais importante que AMAR, CRIAR, FAZER, CONSTRUIR, DAR A CARA A TAPA com seriedade e arcar, por décadas, pelas  brigas compradas.

Ps1: No primeiro Festival da Guavira, se não fosse o Leléco, o Comtur não teria ajudado.

Ps2: Odilson, apesar do grande mestre que você foi, não valerá nada se não falar inglês

Ps3: Na próxima década, vou ganhar o Nobel de Literatura para Bonito. Não poderei ir para receber. Pedirei para alguém que fale inglês ir no meu lugar, assim Bonito não passara vergonha.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Carta ao Prefeito Leléco



                  

                   Bom dia Prefeito,

         Espero não estar incomodando com este assunto que irei comentar, mas é necessário. Estive ontem, dias dos pais, no nosso cemitério visitando a morada do meu. Sai assustado com a atual situação de superpopulação do mesmo, acredito que nos próximos meses, nossos futuros moradores terão que serem alojados na calçada, tal é a situação do velho João Batista.
 Prefeito vou fazer alguns comentários, espero que leve em consideração neste momento difícil e coloque em prática a ideia de um novo” Campo Santo”, pois a morte também é assunto de Saúde Pública.
1 – Todos nossos parentes e amigos que por aqui passaram são hospedes da Pousada São João Batista.
2 – Está judiada, feia, desatualizada, mas temos um vinculo eterno com ela, amamos assim mesmo.
3 - Imagine amigo Alcaide, quando chegar a nossa vez, bonitenses filhos de nativos, para onde iremos, ficaremos longe dos nossos?
4 - A sua administração, construindo um novo Campo Santo ou uma nova “pousada” como gosto de chamar, ajudará muito esta  alocação futura do João Batista, pois construindo um novo espaço,  Moderno, Bonito, “redundância”  todos os novos inquilinos que não tem vínculo com os antigos hospedes, irão preferir morar em uma “casa nova”, charmosa e com belos jardins.
5 - Acontecendo isto, irá sobrar vagas para que nós , antigos moradores, possamos nos juntar aos nossos.
6 - Imagine o Sr. daqui uns tempo, passo desta pra melhor, não tendo vaga na “antiga pousada”, terei que ir para a “nova”, não terei velhos amigos ou parente para  coversar. Caso resolva visitar a família ou os amigos, no João Batista, serei mais uma alma penada vagando pela noite assustando as pessoas.  Pega mal!
7 - Caso a “patroa” resolva ir atrás, fico eu e ela num lugar novo, estranho, sem os velhos conhecidos para conversar. Imagine aguentar ela  pelo resto da minha “nova vida”. Pensa eu saindo a noite para visitar os outros e deixando  ela sozinha,  num lugar estranho “não se esqueça que nestes lugares só se sai a noite”,  vou ouvir pela eternidade, tenha dó, pense no futuro dos seus amigos, nada acaba aqui.
8 - Agora, a Vossa Excelência, providenciando um “novo lar”, fico eu em paz no “Velho João”, uso a intimidade, pois somos velhos conhecidos, só 57 anos.  Todos conhecidos, minha nova vida vai ser maravilhosa, não verei o tempo passar, tomarei “tereré espiritual” no túmulo de todos os conhecidos, cuidaremos da cidade e se o prefeito não andar direito faremos visitas a ele.
9 - Do jeito que está, logo vai começar a ter brigas, imagina colocar um “Udenista” em cima de um PSD , invasão de propriedade , só não dá morte, mais todo tipo de confusão.  Então, para não atrapalhar o descanso daqueles que já o encontraram. Desde os primórdios  existe um descaso com o registro dos túmulos, hoje pode acontecer de ter duplicidade, vamos evitar que aconteça.
10 – Sr. Prefeito, pense um pouco no nosso próximo passo, “o descanso eterno”.O Sr. com certeza vai estar com os seus, desculpe a intromissão , fiquei assustado.
                  Um abraço e bastante saúde.


“Em tempo, para tristeza de alguns, minha saúde está muito boa!”