Esta semana uma pessoa falou que eu não devo sair à rua e nem conversar com ninguém, pois cada vez que abro a boca, perco mais clientes e minha casa fica mais tapera.
Vale à pena ter uma meta, brigar por ela durante décadas, ter um ideal e sonhar com uma cidade mais humana. Qual o preço pago por ser o babaca oficial da cidade?
Ser boicotado todos os dias, apesar de ter uma cozinha respeitada e séria, a família é sacrificada todos os dias, o custo é muito alto. Ontem apareceu no restaurante um casal com uma senhora de idade, vieram porque ouviram o jibóia dizer que viria jantar no tapera. Jantaram, gostaram e fizeram um comentário. Ela era a quarta vez que vinha a Bonito, ele, era a terceira e nunca ninguém do TRADE comentou ou indicou o restaurante.
Eles estavam impressionados.
A Ana Cristina ouviu o comentário. Hoje voltaram para almoçar e conheceram o nosso Buffet, que estamos estudando a possibilidade de fechar.
Desde o dia que voltei, depois de anos estudando fora, encontrei uma barreira, mesmo morando em Campo Grande onde estudava fui eleito vereador, o segundo mais votado nas eleições de 1982. Foi um choque para muita gente, para eles minha candidatura era uma piada, só que esqueceram que eu era o filho do Mozart Soares.
Desde os primeiros dias na Câmara tive que comprar briga com a pessoa mais influente na cidade, o ex prefeito, pois o mesmo interferia muito no destino dela e de maneira equivocada. Ele era endeusado pela maior parte da população que, hoje, jura que nem o conhece, e poucos tem coragem para falar com ele. É uma pessoa abandonada e sem amigos. O tempo provou que eu estava certo e ele errado. Todos o condenam, mas para mim não tem absolvição. Pago a conta até hoje.
Por seis anos tive que brigar com metade da cidade , pois eu era o pára-raio do Prefeito Darci Bigaton, briguei e o defendi , pelo que acreditei ser o melhor para Bonito naquele tempo. A história provou novamente que eu estava correto, fomos enxotados da prefeitura, levamos a maior surra , dificilmente o fato será repetido. Quatro anos depois, o povo trouxe Bigaton de volta. Novamente não fui absolvido.
Sempre comprei e vou comprar briga pelo futuro de minha cidade, não troco meu pensamento por comodismo ou boas relações, não vou sair abraçando e beijando para ter parceiros comerciais, participei de todos os passos importantes do turismo de Bonito, estive presente sempre que era preciso, brigando pelo certo e pelo futuro não me importando com quem.
Sempre cobrei e ajudei a criar um turismo sério e responsável , que hoje já não é tão sério e nem tão responsável como já foi um dia. Arrumei briga porque abri o passeio no Rio Sucuri, denunciando as lavouras que estavam a trinta metros da nascente e, em praticamente toda a margem esquerda do rio. Toda chuva que caia deixava a água do sucuri barrenta. O promotor que levei para medir esta barbárie chama-se Haroldo Lima, graças a ele e ao Dr. Givaldo, promotor que o substituiu, conseguimos salvar o paradisíaco Rio Sucuri. Você não sabia? Procure se informar da história da cidade e conhecer as pessoas. Até hoje pago esta conta.
Nestes anos todos boicotaram o meu trabalho com o restaurante e também como criador de alguns dos mais importantes passos da cidade, dificilmente deixam as pessoas terem acesso a mim. Em uma das poucas palestras que proferi , apenas duas, na segunda e ultima um aluno perguntou se valeu a pena. O que eu respondi? Que valeu e faria tudo de novo sem titubear, apesar do custo que pago.
Se posso chamar de matéria, esta é para você Foca, o aluno que perguntou se valeu a pena. E o que você falou quando nós nos encontramos prova que vale a pena brigar por um ideal.
Perguntei à minha filha mais velha o custo que ela paga. Ela disse que vale a pena, por que todos eles acreditam e confiam em mim. Ela é escritora de www.zarahluna.com.br