domingo, 19 de setembro de 2010

VALE A PENA


Esta semana uma pessoa falou que eu não devo sair à rua e nem conversar com ninguém, pois cada vez que abro a boca, perco mais clientes e minha casa fica mais tapera.

Vale à pena ter uma meta, brigar por ela durante décadas, ter um ideal e sonhar com uma cidade mais humana. Qual o preço pago por ser o babaca oficial da cidade?

Ser boicotado todos os dias, apesar de ter uma cozinha respeitada e séria, a família é sacrificada todos os dias, o custo é muito alto. Ontem apareceu no restaurante um casal com uma senhora de idade, vieram porque ouviram o jibóia dizer que viria jantar no tapera. Jantaram, gostaram e fizeram um comentário. Ela era a quarta vez que vinha a Bonito, ele, era a terceira e nunca ninguém do TRADE comentou ou indicou o restaurante.

Eles estavam impressionados.

A Ana Cristina ouviu o comentário. Hoje voltaram para almoçar e conheceram o nosso Buffet, que estamos estudando a possibilidade de fechar.

Desde o dia que voltei, depois de anos estudando fora, encontrei uma barreira, mesmo morando em Campo Grande onde estudava fui eleito vereador, o segundo mais votado nas eleições de 1982. Foi um choque para muita gente, para eles minha candidatura era uma piada, só que esqueceram que eu era o filho do Mozart Soares.

Desde os primeiros dias na Câmara tive que comprar briga com a pessoa mais influente na cidade, o ex prefeito, pois o mesmo interferia muito no destino dela e de maneira equivocada. Ele era endeusado pela maior parte da população que, hoje, jura que nem o conhece, e poucos tem coragem para falar com ele. É uma pessoa abandonada e sem amigos. O tempo provou que eu estava certo e ele errado. Todos o condenam, mas para mim não tem absolvição. Pago a conta até hoje.

Por seis anos tive que brigar com metade da cidade , pois eu era o pára-raio do Prefeito Darci Bigaton, briguei e o defendi , pelo que acreditei ser o melhor para Bonito naquele tempo. A história provou novamente que eu estava correto, fomos enxotados da prefeitura, levamos a maior surra , dificilmente o fato será repetido. Quatro anos depois, o povo trouxe Bigaton de volta. Novamente não fui absolvido.

Sempre comprei e vou comprar briga pelo futuro de minha cidade, não troco meu pensamento por comodismo ou boas relações, não vou sair abraçando e beijando para ter parceiros comerciais, participei de todos os passos importantes do turismo de Bonito, estive presente sempre que era preciso, brigando pelo certo e pelo futuro não me importando com quem.

Sempre cobrei e ajudei a criar um turismo sério e responsável , que hoje já não é tão sério e nem tão responsável como já foi um dia. Arrumei briga porque abri o passeio no Rio Sucuri, denunciando as lavouras que estavam a trinta metros da nascente e, em praticamente toda a margem esquerda do rio. Toda chuva que caia deixava a água do sucuri barrenta. O promotor que levei para medir esta barbárie chama-se Haroldo Lima, graças a ele e ao Dr. Givaldo, promotor que o substituiu, conseguimos salvar o paradisíaco Rio Sucuri. Você não sabia? Procure se informar da história da cidade e conhecer as pessoas. Até hoje pago esta conta.

Nestes anos todos boicotaram o meu trabalho com o restaurante e também como criador de alguns dos mais importantes passos da cidade, dificilmente deixam as pessoas terem acesso a mim. Em uma das poucas palestras que proferi , apenas duas, na segunda e ultima um aluno perguntou se valeu a pena. O que eu respondi? Que valeu e faria tudo de novo sem titubear, apesar do custo que pago.

Se posso chamar de matéria, esta é para você Foca, o aluno que perguntou se valeu a pena. E o que você falou quando nós nos encontramos prova que vale a pena brigar por um ideal.

Perguntei à minha filha mais velha o custo que ela paga. Ela disse que vale a pena, por que todos eles acreditam e confiam em mim. Ela é escritora de www.zarahluna.com.br

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Passarinho

Passarinho Passarinho
Passarinho Passaredo
Vem voando delicado
Vem Pousar no arvoredo

Passarinho Passarinho
Passarinho Pequenino
Vem trazer boas noticias
Vem falar do meu menino

Passarinho Passarinho
Procurando seu filhinho
Onde estão nossas florestas
O que fizeram com seu ninho

Passarinho Passarinho
Homem mau apareceu
Acabou com sua casa
Acabou com mundo meu

Passarinho Passarinho
Como fica o filho seu
Não pergunte do menino
Nunca mais noticias deu

Passarinho Passarinho
Obrigado pelo ninho
Que será desse mundo
se não fosse o seu carinho

Passarinho Passarinho
O que foi que nós fizemos
Destruímos o seu ninho
E depois todos morremos

Passarinho Passarinho
Vem trazer o seu amor
Vem salvar a humanidade
Dessa sina de horror

Passarinho Passarinho
O que foi que eu te fiz
Destruí sua morada
Te tornei tão infeliz

Passarinho Passarinho
O que foi que aconteceu
Tua casa destruída
Homem mau apareceu


Obs.: Não está pronto, coloquei no Blog a pedido da Hélia

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Quando o importante não é importante.

Sempre se discute como vender Bonito, já se gastou fortunas, com formulas mágicas que não deram resultados, fizeram projetos de marketing com custos altíssimos para a comunidade, trouxeram grandes nomes para nos ensinar o que eles não sabiam, como é Bonito e como funciona o nosso turismo, sua história,capacidade de carga, comportamento do turista em nossa cidade, seu interesse, sua procura. Conversando com um amigo, todos os meus escritos vão sair de conversas com amigos, tenho alguns, podem não acreditar.

O assunto em pauta era um curso de comercialização de Bonito, e eu perguntei a ele, se durante o curso foi falado do produto mais importante que temos um produto de alto valor, que, para mim é o mais importante atrativo de nossa cidade e, praticamente ninguém consegue enxergá-lo, consequentemente para o trade não tem nenhum valor, em função disto nunca é lembrado quando se fala em comercializar Bonito, este atrativo não é visto, não é tocado, não tem valor comercial, não é contemplativo, mas esta em todos os lugares e horários de nossa cidade.

Este atrativo É O SENTIMENTO DE FAMILIA, é o carinho, o amor, o companheirismo, a integração, a união, enfim o mais importante não é o que a família vê em Bonito, e sim o que vive, um sentimento único, vivido em poucos lugares do mundo, sendo aqui um destes locais especiais.

Temos varias vantagens sobre os nossos destinos concorrentes, sendo este o mais importante. e nunca foi visto como um grande trunfo de marketing, como aqui o espírito de família não tem muita importância , como disse este amigo , aqui ninguém tem família, inclusive eu.

Alguém já prestou atenção como se comporta uma família aqui em nossa cidade? O mais chato dos adolescentes, aquele filho inconveniente, o casado, o solteiro com namorada. Todos ficam grudados aos pais durante todos os dias que passam em nossa comunidade, normalmente nos grandes centros os filhos pouco saem com os pais ou nunca, aqui ficam 24 horas em sintonia, os nossos atrativos obrigam a terem esta convivência, independente de idade , avós com 70 anos, filhos quarentões e netos adolescentes , todos fazem os passeios juntos durante toda a permanência da família em nossa cidade.

Como se comporta esta mesma família na praia? Eles ficam juntos às 24 horas do dia como aqui, tem esta harmonia que nós proporcionamos a eles. Pra você não vale nada, mas, para a família não existe preço que paga estes momentos, Bonito é muito barato. Na praia o jovem sai para a balada, os pais ficam sozinhos é mico ir junto, atrapalha, os avós e os pais o Maximo que fazem juntos é irem a um restaurante, os filhos dormem até meio dia, só vão a praia a tarde e sem a companhia dos pais pois estes acordaram cedo e pegaram o sol da manha, enfim só se encontram quando chegam ao destino de férias e quando estão retornando a sua cidade de origem.

Aqueles filhos que, andar com os pais é mico, nem ao cinema vão juntos, muito menos ao shopping, aqui passeiam abraçados pela nossa avenida, conversando, se curtindo, como dificilmente se harmonizam, nos passeios, brincam, conversam, ficam juntos durante todo o tempo, a noite quando saem sempre estão juntos, esta harmonia que os pais sentem , acaba sendo prejudicial a nossa evolução, pois, os mesmos ficam em estado de êxtase tão grande, pois normalmente não curte a família tanto quanto, esta curtindo aqui em Bonito, que e incapaz de fazer uma critica, no passeio, no hotel, no transporte, no restaurante, na loja , do atendimento do guia, pois com todo este comportamento da família eles estão em estado de graça, pois aqui se consegue isso.

Este, é o nosso maior produto, infelizmente, como disse o meu amigo, aqui não se tem o SENTIMENTO DE FAMILIA, como vão enxergar, esta dádiva.

terça-feira, 6 de julho de 2010

A necessidade de mudanças

Tenho um amigo que sempre me procura para saber minha opinião sobre determinados assuntos, pois sabendo ele o que eu penso, ele já sabe o pensamento da cidade. Nunca bate.

No final da administração do Geraldo Marques ele me procurou e comentou que o prefeito havia desfeito o COMTUR. O que eu achava? Disse que foi a melhor coisa que aconteceu. Comentou então que a cidade não aceitaria. Perguntei a ele o que o Comtur fez até hoje de importante a não ser me expulsar na primeira reunião em que participei, sendo eu o único nativo membro do conselho. Falei: espero que o próximo prefeito crie um novo e ativo Conselho, pegando de cada segmento que tem direito a um representante, o que este tem de melhor. Vamos fazer um Conselho atuante e revolucionário.

Não deu certo!

Aqueles empresários que realmente podem fazer a diferença foram expulsos das reuniões e discussões importantes por pessoas medíocres, sem conhecimento da grandeza do turismo, e recém chegadas ao ramo, oriundos aqui da cidade e de outros lugares, se intitulando conhecedores do DESCONHECIDO. Estas pessoas importantes e desperdiçadas, com tantos afazeres em seus segmentos, depois de ouvirem tantas asneiras em reuniões, CANSARAM. Assim as reuniões passaram a ser vazias e sem fundamento.

Hoje eu faço uma pergunta a este amigo:

- Das pessoas que estão hoje no grande Conselho, os ditos representantes do TRADE, alguém sabe o que é turismo, sabe o que esta fazendo ou só estão se aproveitando da fama e do nome da nossa cidade?

Faço esta pergunta pelos seguintes motivos:

I. No mês de junho de 2009 foi feita em nossa cidade, provavelmente, a maior apreensão de carne de caça do Brasil. este assunto sem importância na cidade, ganhadora de prêmios de melhor destino de Ecoturismo do país, não entrou em pauta para discussão do grande Conselho. Um dos conselheiros é representante do Instituto Chico Mendes.

II. A cidade sempre sonhou com o aeroporto funcionando. Ele está. Temos vôo direto Rio, São José, Campo Grande e Bonito. O Rio tem mais de 10 milhões de habitantes. São José do Rio Preto e cidades circunvizinhas, acredito eu terem mais uns 6 milhões de habitantes, de alto poder aquisitivo. Pergunto: - Os representantes diretos do turismo no grande Conselho sabem da importância deste vôo para nossa cidade? Algum dia discutira uma forma de vender Bonito nestas cidades? Com certeza não.

III. Vocês ainda acreditam que quem mora no rico interior de São Paulo pegaria a família, iria à capital deixar seu carro em uma garagem para pegar um avião para Bonito? O mesmo acontecendo com o pessoal do interior do Paraná. Quem sairia de Londrina, Maringá ou Cascavel, e iria até Curitiba para pegar um avião para nossa cidade? Não vamos esperar que o Aeroporto trabalhe sozinho e que seja o salvador da pátria. Acordem! Onde está nosso marketing para interior destes estados?

IV. Porque o sulmatogrossense não é importante para nossa cidade? Na minha ignorância sempre acreditei que é o melhor público para captar, pois é o consumidor que mais perto está de nossas belezas. Já pensaram em fazer um trabalho para desmistificar, junto a eles, que nossos preços são caros? Ou eles não são importantes?

V. O Mato Grosso do Sul é conhecido no Brasil também como um estado de rios piscosos. Acredito que recebemos mais de 500 mil turistas de pesca todos os anos Eles vêm nos meses de baixa temporada para nosso turismo de natureza (março a final de outubro). Já estão aqui. Não é preciso ir a seus estados de origem captá-los, pois já ouviram falar de nós. Ou eles também não têm importância para a falsa moralidade do Ecoturismo?

VI. Tirando as praias, nós temos a melhor logística do Brasil. Todos os destinos que trabalham com natureza, e são nossos concorrentes, não têm o privilegio que nós temos. Nenhum tem belezas como as nossas nem a proximidade de grandes mercados consumidores. Estamos a 300 km de Dourados e Campo Grande. 700 km de Assunção, interior de São Paulo e Paraná. Estamos ao lado da Bolívia, não esquecendo que Paraguai e Bolivia não têm praias. Onde estão as nossas discussões sobre esta dádiva?

VII. Bonito é o paraíso, mas para se ter acesso ao paraíso não é simples. Precisa de amor, abdicação, cessão, humildade e desprendimento mundano. Como vamos trazer pessoas ao paraíso se não sabemos lidar com ele?

VIII. Dizem que sou invejoso, pessimista, revoltado, mal humorado, frustrado e mal agradecido. Não me importo! Minha parte eu já fiz. Fiquei muitos anos afastado das discussões e decisões sobre o futuro do turismo em minha cidade. Mas existem três coisas que realmente me tiram do sério: Mediocridade, Teimosia e Burrice. E isto é o tripé que sustenta o pensamento reinante no nosso Conselho e boa parte do TRADE.

IX. Se existe uma pessoa que tem o direito de falar, esta pessoa sou eu. A cidade se tornou conhecida e respeitada no Brasil e no exterior e ganhou vários prêmios importantes graças a um trabalho feito por mim. Obra de um só pai, o famoso e falado “Voucher Único”, que transformou a cidade em um modelo de gestão único no país e reverenciado em todo o território nacional.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Quero voltar a ser índio

Há exatamente 27 anos e seis meses que eu não ficava à toa tantos dias como estou agora, com a reforma do Tapera. Desde que eu abri o restaurante nunca tirei férias, a não ser uma semana em 2005, fomos à praia e choveu todos os dias.
Hoje eu descobri como é bom não fazer nada, bater perna o dia todo, encontrar pessoas, conversar, ir à beira do rio, não ter obrigações de abrir o restaurante, ter comida pronta na hora certa, abrir de dia, abrir a noite, todos os dias do mês, todos os dias do ano.
Estando as margens do formoso, pensei como eu queria ser índio, ficar pescando, caçando, sem compromisso a não ser com a sobrevivência, como seria bom, não estar nem aí se o filho estuda, namora, dorme cedo, vê computador, tem internet, conta de água, luz, impostos, que inveja...Eta gente feliz!
Daí, levei um choque, uma fase de minha vida eu fui índio, olho pra trás e vejo a vida como ela era. Pescava, caçava e não tinha compromisso com nada.
Imaginem vocês, pesquei de arpão em todo o formoso, inclusive Balneário Municipal e Bonito Aventura, pesquei no Aquário e no Rio Sucuri, só não fui ao Prata, para a nossa preguiça era muito longe, daria muito trabalho. Caçávamos em todos os recantos do município, inclusive na região do Aquário.

Como tenho saudades da minha vida de índio.
Toda a minha infância, adolescência e parte da fase adulta, esta era a minha vida, única coisa que atrapalhava é que eu tinha que estudar, senão seria perfeito.
Proibiu-se a pesca nestes locais a caça foi proibida no Brasil inteiro, e todos nós temos que estudar para acompanhar esta evolução do "Homem Moderno".
Este texto não é uma apologia a pesca, a caça ou não ir a aula, não estudar e sim, uma saudade de um tempo gostoso que na atualidade não tem como existir.

Expectativa Frustrada

Estamos acabando a baixa temporada de 2010, talvez a pior dos últimos 10 anos e pra completar, "Copa do Mundo", todos estão em contagem regressiva pra julho.
Tivemos em 2009, um ano fabuloso para todo o nosso comércio, a comunidade estava em estado de graça, sonhado repetir em 2010 o mesmo movimento.
O ano está sendo frustrante pra praticamente a maioria das empresas. Na minha visão, apenas dois fatores nos ajudaram a ter um ano financeiro magnífico em 2009:
  1. Desastre no final do ano de 2008, que destruiu o verão de Santa Catarina. Gaúchos, catarinenses, sulmatogrossenses, paranaenses, enfim, milhares de pessoas que passavam final de ano e começo de ano nas paradisíacas praias catarinenses, não viajaram pra lá, milhares de paraguaios. Tivemos um verão maravilhoso financeiramente falando.
  2. Gripe suína, aparecendo no final de abril assustando o mundo. Milhares de turistas que iriam pra fora do país optaram por não viajar, nossos concorrente de inverno, México, Flórida, Chile e Argentina tiveram grandes debandagens de brasileiros. O Rio Grande do Sul, grande destino de inveno foi o Estado que mais sofreu com a calamidade, tendo inclusive seus cidadãos saídos do Estado para outros lugares à salvos da gripe.

Estas duas calamidades ajudaram Bonito a captar estes turistas. Quem tem hábito e dinheiro para passear com a família, mudam o roteiro programado e vai a um novo destino sem grandes dificuldades.
Perdemos mais um ano por falta de visão e planejamento, nos estamos iguais pais relapso, o culpado do filho não prestar, são as companhias, nunca a culpa é nossa.
Culpamos o dólar, falta de vôo e nunca nossas incompetências organizacionais e empresariais, que sempre têm uma desculpa.
Praticamente sozinhos fizemos um trabalho que o Brasil todo admira, será que perdemos a capacidade de criar e inovar?

Não adianta perdermos tempo com reuniões inúteis, discutir com pessoas que nada têm à oferecer, esqueçam as associações e seus interesses, vamos olhar o interesse maior que é a comunidade, não vamos nos esquecer do primeiro semestre de 2011, ele já está chegando!
Diz à lenda que temos na cidade 130 associações. Como isto pode funcionar?
"Quem mata filho não é a sociedade. São os pais!"

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Turismo de pesca no rio Miranda

É muito comum ouvir a frase "proibido pescar em Bonito", como se esta proibição atingisse todos os recantos do município esquecendo-se que Bonito tem o maravilhoso Rio Miranda, separando-o dos seguintes município: Jardim, Guia Lopes da Laguna, Nioaque, Anastácio e Miranda, sendo que temos em nosso município uma grande estrutura montada para o turismo de pesca, hotéis, pousadas, loteamentos com dezenas de casa. Alguns hotéis e pousadas com estruturas melhores do que muitos existentes na cidade.
Por que esta estrutura rica e funcionando a tantos anos, não faz parte do roteiro turístico de nossa cidade. Todos os anos, de Março a Novembro, esta estrutura recebe mais ou menos 60.000 turistas de pesca, vindos de todos os lugares do Brasil, principalmente do interior de São Paulo. Boa parte das residências existentes nos loteamentos são de paulistas que vêem à Bonito várias vezes ao ano. Pessoas estas com um grande potêncial de consumo, empresários, industriais, profissionais liberais, etc.
Qual a importância destes turistas para a economia de Bonito?
Nenhuma, segundo o pensamento existente e dominante dos nossos empresários de turismo e guias.
Segundo nossos gênios pensantes, nós somos ecoturismo, pesca agride o nosso paraíso, nosso nome e vai contra a grande preservação de Bonito. Acreditam que pescadores não respeitam a natureza, como se nós a respeitássemos.
Mas por falar em ecoturismo, "eco empresários", "eco guias", "eco funcionários" e "eco respeito" este mês estamos comemorando "1 ano" de talvez a MAIOR APREENSÃO DE CARNE DE CAÇA DO BRASIL.
Qual a participação do trade nisto?
Será o assunto para a próxima matéria.
Vamos voltar a pesca!
Desde que começamos a explorar o turismo comercialmente, temos dificuldades de ocupação nos meses compreendidos entre março a novembro, com excessão de parte de julho e pedaços de setembro e outubro. No resto dos tempos passamos praticamente "as moscas" e tendo a apenas 50 km de distância milhares de potenciais compradores e em suas cidades de origem, milhares de esposas que também poderiam estar conosco, principalmente "elas", o melhor público para a nossa cidade.
Normalmente, quando o homem sai pra pescar, fica vários dias fora de casa, a esposa gostaria de ir junto mas, dificilmente gosta de pescar embora gostaria de estar por perto.
Nós em Bonito temos esta grande vantagem, elas estariam em um local magnífico, desejo de consumo de todos, estando praticamente ao lado dos maridos pescadores.
Vocês já notaram que estão dando "tiro no pé" cada vez que falamos pra um turista que não se pesca em Bonito?
Que estamos trabalhando contra a nossa própria existência comercial!
Quando você fala para seu hospede que não se pesca em Bonito, ele fecha a conta, vai para Miranda, Porto Murtinho ou Corumbá e nos abandona, podendo acontecer o contrário, ficar hospedado em nossa cidade, sair cedinho, passar o dia pescando no nosso rio Miranda, curtir uma pescaria com a família e voltar pra dormir em nossos hotéis. Parando de expulsar o que já está na cidade nos pedindo informação de pesca, já começaremos a lucrar bastante, imagine quando conquistarmos o que está vindo pescar no nosso "Rio Miranda".
Se conseguirmos atingir 10% das mulheres dos pescadores do rio Miranda teremos mais ou menos 6.000 mulheres em Bonito entre março a novembro.
Em se comparando é o equivalente a 60 aviões por ano com 100 passageiros cada, 150 ônibus com 40 pessoas cada, isso é só as mulheres possíveis de se conseguir atrair para ficar conosco, sem contar com o número exato de se conquistar, que são os esposos, presente em nosso município.
Toda esta estrutura pertence ao nosso município. É de Bonito! Qual a participação na arrecadação municipal?
Pagam impostos?
Emitem voucher pra cada barco saindo pra pescar, pagam o ISS? Eles tem vantagens em serem e terem essas estruturas em Bonito?
Tem escolas?
Tem Saúde?
O poder público olha com carinho pra eles?
Os tratam também como parte importante da sociedade Bonitense?
Hoje, quem tem acima de 40 anos e está passeando com a família , um dia pescou com o pai ou com um tio. Até pouco tempo nós éramos uns pais interioranos, quantos pais hoje estão passeando e gostariam de pescar com os filhos? Quanto estamos perdendo?
Já pensaram quantas famílias poderiam antecipar a saída das férias de julho e vir pra Bonito passear e pescar com os filhos?
Toda essa história de pesca, escondida embaixo do tapete, por quê não muda?
Quem é o culpado?
Por que não enxergamos a importância?
O novo empresário, este que chegou nos últimos 10 anos, ouvindo a conversa da proibição, ele é culpado por não procurar se informar?
Em entrar no ritmo do tiro no pé?
Bonito pra melhorar, precisa desmistificar várias coisas,a pesca é uma delas.
Tivemos por alguns anos, uma faculdade particular de turismo que também passou batida em relação a pesca. No meio acadêmico este assunto era tabu, por quê?
Como uma faculdade que se dispôs a ensinar, forma e qualificar turismologos, não viu a importância nesta estrutura?
Não ouvi falar em nenhuma pesquisa feita por alunos ou professores, nenhuma monografia, trabalhos estes que seriam muito importante para o desenvolvimento do nosso turismo.
AH! Ela fechou!
Agora, temos uma faculdade federal de turismo, ótimo!
Pergunto:
Já começou a discussão, a integração cidade de turismo de contemplação e uso da natureza e não ecoturismo como se intitula, com a grande e importante estrutura de pesca do nosso rio Miranda em nosso município?
Não pode passar batido novamente!Vamos enfim, compreender que o turismo de pesca é legal, existe e é muito importante para a economia de Bonito!
Vamos esquecer nossa ignorância e radicalismo, temos como reverter o quadro econômicoSerá que isto não é importante?
Vamos pensar com carinho!