domingo, 14 de agosto de 2011

Pai

Amor e Sabedoria

Hoje é nosso dia, fui com a mãe visitar sua lembrança física, vendo sua foto, com aquele olhar que a tudo cuida, lembranças vieram, fico tentando imaginar de onde você tirou tanto Amor e Sabedoria, pois no imaginário vigente nasceu para o nada. Pobre, perdeu o pai aos nove anos, não teve acesso à educação escolar.

Vendo a Xuxa pregar a não violência contra as crianças, você nunca nos bateu, sempre nos disse que bater é errado, com 15 anos de idade destruí a frente de seu carro comprado com tanto sacrifício, que havia pago cinqüenta bezerros de sobre ano em um carro com mais de cinco anos de uso, você não brigou e tampouco gritou comigo, apenas queria saber se eu estava bem e depois pediu para ser cuidadoso e responsável. Nunca estudou, passou anos de sua vida, se privando, para que pudéssemos estudar, saímos de Bonito, fomos estudar em Curitiba e em Campo Grande, o tempo que estivemos fora pediu para que não trabalhássemos, pois queria todos os filhos em casa nas férias, pois depois de formado acreditava que nós ficaríamos morando fora e ele e nossa mãe ficariam sozinhos, nisso ele estava errado. Todos voltaram formados, mas não trabalhando naquilo que escolhemos estudar, você nunca cobrou de nenhum de nós, porque não trabalhávamos nas nossas profissões escolhidas, nunca ouvimos um comentário sequer, dificuldades atravessadas, dinheiro gasto. Sempre nos respeitou, e o nosso direito do livre arbítrio, escolhemos os nossos caminhos.

Hoje fico vendo o comportamento da maioria dos pais, para com o futuro de seus filhos, praticamente todos eles interferem na escolha de seus filhos para o que querem da vida, tem que fazer Medicina para ganhar dinheiro, Direito, para ser Juiz ou Promotor, ganhar bem que é importante. Criam sonhos e querem que eles realizem, traçam metas e não ouvem os maiores interessados, querem um troféu para mostrar para a sociedade, sou um vencedor meu filho é importante. Desde cedo começa o massacre em casa, sempre falando aos filhos como eles têm que fazer, quais as melhores e mais importantes profissões, tem que ser social e financeiramente importante. “Professor”, Deus me livre, nem pensar, não ganha nada, professor é um profissional frustrado. Pai, graças a Deus você foi feito de outro barro, sempre se preocupou com nossos sonhos e os respeitou, deixando os seus de lado.

Quando fomos construir o Tapera, era piada para toda a cidade menos para você, sempre esteve ao nosso lado, acredito ser esta a função de um pai, espero conseguir esta graça, o sonho que você tinha de nos dar educação e uma vida melhor... Você conseguiu!

Com você aprendi que Amor e Sabedoria não se aprendem na escola, são valores que nascem no coração energizado pela alma.

Para mim você teve apena um erro, não sou forte como você pensavam sou fraco como todo ser humano.

Pai.


sábado, 13 de agosto de 2011

Praça da Liberdade.

Ilha de esperança

Cerco da vergonha humana

Praça da liberdade

Lute pela sua essência

Não percamos a esperança


Ao Norte o Banco do Brasil

Que não é dos brasileiros

Tem que ter dinheiro e crédito

Se não tens estes requisitos, não é teu.

Fazemos parte da maioria.

Não é nosso.


Ao Oeste um templo

Onde Deus vem para te dar

Dinheiro, saúde e felicidade

Mas tem que pagar.


Ao Sul a Caixa Econômica Federal

Escondida atrás de uma casa de apostas

Onde todos nós oprimidos e derrotados

Vamos atrás do milagre da sorte

Todos os dias apostamos nossas esperanças

Sempre os mesmos ansiosamente esperam o resultado

Pois aí serão recebidos de braços abertos no Banco do Brasil


Ao Leste, outro templo

Onde se prega a humildade e o amor

Pois, assim, ganharemos a vida eterna

Não é preciso pagar, já sugaram muito

Seus lideres vivem em palácios

Pregando a humildade e o desprendimento material


Bancos e Igrejas

As maiores invenções comerciais do homem

Estão cercando o templo da liberdade


A Praça da Liberdade

Ainda resiste para que possamos sonhar.


“A praça é do povo assim como o céu é do condor”

Castro Alves.

sábado, 6 de agosto de 2011

Dólar Baixo – Novos Destinos

Julho acabou nossa temporada foi um grande fracasso, fomos salvos pelo Festival de Inverno. Todo mês de julho para muitos foi o equivalente a um bom carnaval.

Estamos ano a ano mostrando nossa incapacidade para administrar o destino da famosa “cidade referência”.

Nós sabemos o que turismo?

Nossa administração pública conhece turismo?

Temos noção do nosso potencial, da grandeza de Bonito, da nossa importância em nível de Brasil?

Se temos, não respeitamos e tão pouco sabemos trabalhar. Nós não vivemos da venda de um grande destino e sim da compra, não vendemos Bonito, somos comprados pelo turista que tem interesse em nos conhecer. Temos empresas que batem no peito dizendo: _”Eu vendo mais que os outros”. A cidade bate palmas e todos se hipnotizam com a própria mediocridade. O que estas empresas fazem é usar a lei de Gerson e serem mais espertos que os outros e investem na tão famosa e salvadora “rede” usando meios de quando o comprador clicar Bonito sua empresa aparece primeiro. Para todos, isto é muito importante, para mim é chover no molhado. Quero ver a empresa atiçar a curiosidade dos além do rio Paraná e fazer com que eles procurem Bonito, isto sim é saber vender, ser importante para a comunidade. Quando este aparecer deverá realmente ser respeitado como uma pessoa importante, um empresário competente, com selo de qualidade.

Há alguns anos começaram a aparecer na cidade alguns empresários inteligentes, bons de bico, com promessas milagrosas. Começaram a cobrar de nossos ambiciosos hoteleiros comissões exorbitantes para serem os bons parceiros. Já imaginaram o que é entregar a um “parceiro” 30% da sua venda bruta e sem imposto. Vendo e ouvindo estes acontecimentos disse aos amigos Henrique e Luis Carlos que está história não daria certo. Vendo estes agenciadores cobrando 30%, as outras empresas da cidade também se sentiram no direito de fazer o mesmo, em curto prazo seria benefício para alguns e desonesto para com o turista, a médio e longo prazo seria desastroso para a cidade. Para pagar 30% para os sanguessugas você tem que tirar este valor de alguém, sim o tão escasso turista. Já temos hotelaria cara, sem a qualidade e infra-estrutura cobrada, Estamos pagando o ônus desta barbárie, nossa queda não é dólar ou novos destinos e sim desonestidade, incompetência e falta de qualidade.

Dólar Baixo – Novos Destinos

Julho acabou nossa temporada foi um grande fracasso, fomos salvos pelo Festival de Inverno. Todo mês de julho para muitos foi o equivalente a um bom carnaval.

Estamos ano a ano mostrando nossa incapacidade para administrar o destino da famosa “cidade referência”.

Nós sabemos o que turismo?

Nossa administração pública conhece turismo?

Temos noção do nosso potencial, da grandeza de Bonito, da nossa importância em nível de Brasil?

Se temos, não respeitamos e tão pouco sabemos trabalhar. Nós não vivemos da venda de um grande destino e sim da compra, não vendemos Bonito, somos comprados pelo turista que tem interesse em nos conhecer. Temos empresas que batem no peito dizendo: _”Eu vendo mais que os outros”. A cidade bate palmas e todos se hipnotizam com a própria mediocridade. O que estas empresas fazem é usar a lei de Gerson e serem mais espertos que os outros e investem na tão famosa e salvadora “rede” usando meios de quando o comprador clicar Bonito sua empresa aparece primeiro. Para todos, isto é muito importante, para mim é chover no molhado. Quero ver a empresa atiçar a curiosidade dos além do rio Paraná e fazer com que eles procurem Bonito, isto sim é saber vender, ser importante para a comunidade. Quando este aparecer deverá realmente ser respeitado como uma pessoa importante, um empresário competente, com selo de qualidade.

Há alguns anos começaram a aparecer na cidade alguns empresários inteligentes, bons de bico, com promessas milagrosas. Começaram a cobrar de nossos ambiciosos hoteleiros comissões exorbitantes para serem os bons parceiros. Já imaginaram o que é entregar a um “parceiro” 30% da sua venda bruta e sem imposto. Vendo e ouvindo estes acontecimentos disse aos amigos Henrique e Luis Carlos que está história não daria certo. Vendo estes agenciadores cobrando 30%, as outras empresas da cidade também se sentiram no direito de fazer o mesmo, em curto prazo seria benefício para alguns e desonesto para com o turista, a médio e longo prazo seria desastroso para a cidade. Para pagar 30% para os sanguessugas você tem que tirar este valor de alguém, sim o tão escasso turista. Já temos hotelaria cara, sem a qualidade e infra-estrutura cobrada, Estamos pagando o ônus desta barbárie, nossa queda não é dólar ou novos destinos e sim desonestidade, incompetência e falta de qualidade.

sábado, 16 de julho de 2011

Tenho Inveja

Hoje meu último filho está indo embora de casa, vai estudar fora. Sempre disse aos turistas que diziam que maravilha morar em Bonito, que bom é morar em um local em que os filhos se formam dentro de casa, cumprem seus ciclos escolares morando contigo, que inveja.
Todos foram embora. Cada partida, cada primeira vez, é uma dor, não no coração, mas sim na alma. Sinto-me frustrado, impotente, incompetente, quanta coisa perdi em todos estes anos morando conosco? Quanto tempo perdi de suas companhias? Nasceram, cresceram e foram embora. E eu, o que fiz em todos estes anos? Trabalhei dia e noite! Fomos poucas vezes ao Balneário, tiramos uma férias, nestes anos não conseguimos fazer o circuito Bonito de turismo de natureza. Tempo passado, tempo perdido. Praticamente todos esses anos estivemos juntos, morando em cima do trabalho, conviver sem viver. Tive oportunidades de escolher o caminho a percorrer, vários, escolhi o que sempre foi o melhor pra mim; mas o pior para minha família, hoje sou um profissional realizado, faço o que amo, mas não me realizei como pai e marido. Não estou e não estive com meus filhos como gostaria, e não estou com minha esposa quando mais precisa de mim. Não conheço seus médicos, nunca estive ao seu lado nestes momentos.

Tenho inveja de meu pai, durante todos os anos que passamos aqui, antes de sairmos para estudar, ele esteve sempre presente, não nos ensinou a jogar futebol e nem a andar de bicicleta, ele odiava, mas caçamos e pescamos juntos durante todos estes anos, sempre foi o grande companheiro, praticamente toda a década de 60 minha mãe passou doente, sempre tinha que ir a Campo Grande, ele sempre estava presente.

Hoje fico imaginando como era sua vida, a maneira que superava as dificuldades.
Tenho inveja e saudades do meu herói.
*Ele cursou até o 3º ano primário, não era doutor como eu.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Respeitem o que temos


Nosso poço não tem fundo, sempre vamos estar caindo, sonhando com uma asa mágica para nos salvar, como sou uma pessoa não muito interessante para participar das discussões da cidade, falo através deste blog, tomo conhecimento dos nossos problemas através de amigos que desabafam comigo. Agora estou sabendo que estamos na eminência de perdermos o escritório regional do SEBRAE, para nossa vizinha Jardim, políticos e empresários vizinhos querem nosso escritório, há vários meses estão se movimentando para que aconteça a mudança.

Pelas informações que tenho, nem nossos políticos e muito menos nossos empresários estão preocupados com esta mudança.

Novamente faço a mesma pergunta. Onde estão as nossas tão faladas e famosas associações de classe? Pra que servem?

Há muitos anos tenho em minha cabeça o esboço de um livro, o titulo é “O Catador de Guavira”, é sobre a vida de pessoas que estão a procura do que já tem e não valorizam.

Bonito é o eterno catador.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Vamos tirar as mãos do bolso

Vamos estender as mãos

Obrigado Janico.

Hoje está fazendo um mês que uma pessoa muito especial nos deixou, há mais de sessenta anos, ele acolheu em sua vida um primo pobre e semi-analfabeto. Inicialmente o colocou para trabalhar como peão, cuidando de seu rebanho de gado aqui e algumas viagens ao pantanal do Nabileque, com o passar do tempo, vendo a dedicação e responsabilidade de seu funcionário, trouxe-o para trabalhar em seu cartório, ensinando-o nos ofícios. Passado alguns anos casou-se com uma moça da cidade, resolveu estudar. Foi fazer odontologia em Curitiba no inicio dos anos cinqüenta, deixando em seu lugar como cartorário aquele seu aprendiz, antigo peão, com um apelido estranho,

Zarico, talvez para rimar com Janico. Algum tempo se passou e vendeu ao seu substituto o imóvel onde funcionava o cartório em suaves prestações e anos para se pagar, local onde se escreveu uma bela história de Bonito, hoje este imóvel é de um de seus filhos.

Com o passar dos anos este aprendiz, provou que nós só precisamos de oportunidade, uma mão estendida para nos apoiarmos. Com este gesto, teve força para escrever sua história de muito respeito e dignidade, teve durante sua vida profissional e também tem após sua morte, o respeito e admiração de todos que o conheceram. Pagou esta conta com seu mestre fazendo o mesmo com outros jovens, só o sacaneou uma vez na vida, quando o convidou para ser meu padrinho.

Com este gesto há mais de sessenta anos, Janico mudou a vida de um jovem e em conseqüência de sua família que viria a constituir, este jovem cartorário fez por merecer, transformou seu trabalho em um dos mais respeitados dentre os seus, lutou décadas para criar e formar seus filhos, estes filhos ajudaram a transformar Bonito no que é hoje, nada se perde quando se faz com o coração.

Dr. Janes Monteiro Leite, nós te amamos e sempre nos lembraremos de você com muito carinho, acreditamos que chegamos a onde estamos pelo trabalho, carinho, amor e preocupação com a educação que nossos pais sempre tiveram. Mas não esquecemos que a porta aberta em que eles entraram neste novo mundo foi aberta por você.

Sempre acreditei que, esta mão estendida ao Zarico é a mão que sempre tem que estar esperando alguém que precisa. Todo ser humano tem dentro de si uma força muito grande, mas na maioria das vezes esta energia precisa de alguém para fazê-la fluir e descobrirmos nosso potencial.

Precisamos de alguém que acredite na gente, esta é a força que abre as portas da vida.

Dois grandes filhos da....,, Janico e Zarico, que saudade.