domingo, 14 de novembro de 2010

Festival da Guavira

Por muitos anos tive um sonho, criar em nossa cidade um motivador social, algo que congregasse todo bonitense sob a mesma bandeira, um interesse comum. Sempre observei que o mesmo estava ficando as margens dos acontecimentos da comunidade, um produto de enganjamento comunitário, um resgate da cultura e da história, um fixador do homem em sua origem.
Independente das brincadeiras, do desprezo de algumas pessoas "pseudamente importantes" e graças ao apoio do então governador Zeca do PT, o Festival da Guavira saiu do sonho, tornando-se realidade. O Festival não nasceu apenas pra ser um "SOM" na praça e "COMER" algumas guaviras. Ele seria e um dia vai ser um grande projeto de desenvolvimento sustentável. Mas só quando for levado a sério.
Foi criado, assim como o Voucher Único, para ser muito importante e trazer benefícios para a sociedade, os dois nunca foram bem explicados, pois o criador nunca é ouvido.
O Festival tem vários itens a serem conquistados, alguns já foram. Vejam:
  1. Participação e enganjamento de toda comunidade bonitense, a integração da comunidade a festa e a identificação de que foi criada pra eles, este tópico foi alcançado, " o Festival da Guavira é a festa do bonitense".
  2. Valorização e preservação dos guavirais, este está sendo conquistado. Já existe uma grande conscientização do proprietário rural da importância dos guavirais.
  3. Divulgação e resgate da cultura sulmatogrossense sendo a música com seus poetas maravilhosos, a grande âncora da cultura. Estamos engatinhando, poderíamos divulgar nossos cantores através de Bonito, Caruarí no Pernambuco faz isso.
  4. A guavira normalmente produz em terra pobre, areia, cascalho e terras de pouco valor. Hoje existe mais em pequenas e médias propriedades, tendo um trabalho comercial, o extrativismo seguraria o pequeno proprietário em sua propriedade, pois a fruta explorada teria um bom valor comercial, hoje sem industrialização a guavira já dá retorno, mais que o boi e o soja.
  5. Criar pequenas cooperativas de donas de casa para a industrialização da guavira e outros produtos, o ex projeto Pé da Serra, no assentamento Santa Lúcia, mas com apoio sério do trade e do poder público para a confecção, divulgação, consumo e venda.
  6. Criar um selo para produtos produzidos em Bonito, pois temos um nome reconhecido internacionalmente, tudo que produzirmos tendo um "Selo de Bonito" será vendido.
  7. Criar um evento que traria turistas a nossa cidade mantendo a comunidade trabalhando, novembro todo e parte de dezembro, época de pouco movimento.
  8. Motivar a comunidade a resgatar sua história, sua gastronomia, sua vida esquecida.
  9. Integrar o trade a comunidade, a alta sociedade ao povão, nestes anos de festival vou a praça pra ver quem está junto ao povo, nunca vejo nenhum hoteleiro a não ser o Afonsinho, dono de agência só o Juca e a Mariazinha. Pra grande maioria dos importantes, nossa cultura, nossa história não tem valor. Uma cidade turística onde a sua história não tem valor. "Vão reclamar do que pra quem!".
  10. Gerar renda extra, tendo industrialização da guavira, um catador ganha mais de R$80,00 por dia, estas pessoas são desempregados da nossa comunidade.
Muitas mudanças importantes para a nossa comunidade, estão sendo disperdiçadas por falta de interesse das pessoas responsáveis pela cidade.
A cidade não é de responsabilidade apenas do poder público, mas também de todos os munícipes, pois é onde ele vive.
Não deixe o que é importante e já existe acabar.

Só conhece a miséria quem a teve como parteira

Nestes oito anos de Lula, muito tenho ouvido sobre os programas sociais de seu governo, os termos sempre são os mesmos: “ajudando vagabundo”, “induzindo a preguiça”, “pobre nunca quis trabalhar” e outros adjetivos carinhosos de quem conhece a vida.

Tivemos oito anos, também de administração de um governo socialista, mas de academias. Pessoas nascidas em berço esplêndido que só conheciam a miséria através de literatura e pesquisa de alguns acadêmicos.

O que é miséria para os bens nascidos, trocar picanha por maminha, camarão por merluza ou Chanel por Natura?

Às vezes fico a pensar como as pessoas que não a conhecem a imaginam. Ela existe em poucos lugares do Sul e Sudeste, bastante no Centro-Oeste e muito no Norte e Nordeste do país.

Todos os comentários que ouvi nestes últimos anos partiram de pessoas sem nenhum conhecimento de amor, solidariedade e fraternidade. Por pessoas que, se não fosse do seu círculo de convivência ou interesses, tudo que é feito fora de seu universo não tem nenhum valor ou importância, dinheiro e tempo jogado fora.

Sempre acreditei que somente uma pessoa saída da miséria, com todos os sofrimentos que ela conhece, trazendo consigo a esperança de mudanças e muito amor para realizá-los, conseguiria quebrar os grilhões do impossível, mostrando que com pequenos projetos sociais, atingiria todos aqueles que sempre orbitaram as margens das oportunidades que este grande país, conhecido como a terra das oportunidades, sempre os alijou.

Vendo os oito anos de governo Lula, as conquistas dos miseráveis, as perspectivas de um futuro melhor e oportunidades que nunca tiveram. Será que não valeu à pena?

A vida é como um câncer, uns vencem outros perdem... Os que perdem não souberam lutar?

Medicina

Em todos os anos de minha vida, em que me lembro, escutei, menos em minha casa, pois meus pais não falavam: “Eu quero um filho médico.”

Com o passar dos anos, fui entendendo porque falavam isso. Médico ganha muito dinheiro, não existe médico pobre. No meu tempo de criança eles eram médicos e fazendeiros: Dr. Garcia, Dr. Alencar, Dr. Cupertini dono da Pitangueira e outros.

Era e é a profissão de futuro, tudo é garantido para o médico, respeito, dinheiro, emprego, todas as conquistas da sociedade. Por pior profissional que seja, ganha no mínimo R$10.000,00 por mês.

Com o passar do tempo, observando o andar da sociedade, fazendo parte dela e tendo estudado - fiz Direito e não medicina - criei a minha teoria sobre a importância do estudar e aprender. Desde os meus tempos de estudante observei meus colegas de curso e alunos dos outros existentes. O meu universo de estudo é limitado, conversei e converso com estudantes aqui do meu estado e às vezes tenho acesso a estudantes de outros locais.

Sempre escutei a mesma história, dedicação integral ao curso vinte e quatro horas por dia, trinta dias por mês, trezentos e sessenta e cinco dias do ano e seis anos de estudo. Calma! A residência é depois, durante seis anos o aluno vive em função do curso de medicina, independente se faz uma faculdade pública ou particular o envolvimento é o mesmo, estudar muito e trabalhar bastante sem receber nada a não ser o conhecimento.

Se todos os alunos dos outros cursos existentes estudassem e estagiassem gratuitamente como o mesmo empenho que o estudante de medicina, não existiria profissão ruim ou mal remunerada. Tirando a medicina, todo estagiário pensa mais no retorno financeiro do que o retorno do aprendizado dos próprios pais. Já quando estudantes são bem pagos, a maioria se preocupa com o ganho e o passar de ano, independente do conhecimento.

Se você estudar e trabalhar tanto quanto um estudante de medicina, você será um profissional de sucesso.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

MAS ELES NÃO QUEREM MUDAR.

Conversando com uma senhora que estava almoçando em minha casa, ela estava a serviço aqui em Bonito, estávamos a falar da participação do nativo no desenvolvimento de nossa cidade e no que sobrou para ele deste bolo do turismo, dos proprietários que venderam suas propriedades, sendo deslocados para a marginalidade dos acontecimentos da cidade. Disse-me ela que isto era comum, dizendo que em um novo pólo de desenvolvimento o morador pouco participa deste acontecimento social e econômico, contando um fato em que ela participou.

Há mais de trinta anos um prefeito de uma cidade litorânea do nordeste, preocupado com o desenvolvimento de sua cidade, resolveu atrair investidores doando terrenos para todo tipo de investimento. Tendo esta senhora recebido um terreno, tendo-o até hoje, disse-me ela que, lá também apesar de ser um local paradisíaco os moradores não quiseram participar do bolo do desenvolvimento, tendo se recolhido para a periferia da cidade.

Como gosto de criar teorias, neste momento surgiu uma e discordei prontamente dizendo que todo ser humano tem medo do desconhecido, do novo, até o Lula meteu medo na alta cúpula da economia brasileira, se os letrados ficaram com medo, imagine os de pouco estudo e nenhum conhecimento do mundo.

Praticamente todo local aonde o desenvolvimento chega, um novo eldorado, que é habitado por pessoas humildes e de pouca escolaridade, principalmente novos destinos de turismo e mais forte em local de turismo de natureza como são os dois casos, sem ajuda, sem estímulo, sem conversas...

Como eles entenderão esta mudança?

De que maneira podem participar?

Quando Bonito começou a acontecer, tentei ajudar, ser ouvido, convencer as pessoas de que o hoje iria acontecer e que nós os bonitenses não poderíamos ficar de fora, fui chamado de louco, bobo e também de mal intencionado. Tentei fazer com que acreditassem no nosso potencial, não vendessem suas propriedades, investissem, poucos me ouviram, apenas meia dúzia entendeu. Não fui ouvido por um simples motivo, eu não tinha aparência, não tinha um grande carro, dinheiro e não vim do estrangeiro, não seria referência pra ninguém.

Citando um dos momentos que vivi em função deste acreditar, estava em uma agência bancária de nossa cidade, era o ano de 1997, quando chegou um pecuarista muito conhecido na cidade e começou a agredir-me com palavras, perguntando quando é que eu iria parar de mentir, enganar a cidade, dizendo que Bonito seria um pólo de turismo do futuro, que o futuro estava em Bodoquena, lá era o local das pessoas investirem, que a indústria de cimento traria o futuro, que eu parasse de falar em turismo que isto nunca iria acontecer. Hoje ele é um dos poucos bonitenses privilegiados pela chamada indústria do turismo em nossa cidade.

A conclusão que chego é que, as lideranças de um novo pólo de desenvolvimento têm a obrigação moral de criar maneiras de a população tomar consciência dessa nova vida, e serem inseridos nestes acontecimentos. Se tiverem carinho, respeito, amor a sua comunidade, tendo pensamento de coletividade a história pode ser diferente o povo não será excluído, como aconteceu com Bonito e a cidade nordestina da conversa com a senhora de Brasília, pois os líderes têm que serem sérios, pois eles têm o que as pessoas gostam “Aparência”.

POVO, POLÍTICO E CARROCERIA

Desde os tempos de criança uma cena se repete, hoje a cada dois anos, antes de quatro em quatro, um grande movimento social, sem mudanças de classes. Atualmente a cada dois anos, a esperança de mudanças, de melhoria de vida, renasce no coração e na alma do comum, a grande base da pirâmide da vida.

Há décadas vejo as pessoas vestindo a camisa de um desconhecido, vendendo uma palavra que não conhece, lutando por uma causa que só a ele interessa, apostando suas fichas em um jogo de cartas marcadas, onde sempre saem derrotados, pregando uma verdade que não existe, sonhando com o que não acontece, nem eles sabem o que querem.

Criaram um termo muito ardido para defini-los, Massa de Manobra, é horrível, mas acaba sendo. Fico olhando e tentando descobrir como pessoas criadas com amor, carinho, senso do certo e do errado, dentro dos padrões comportamentais da sociedade existente, em ano político perdem o senso da realidade, param de pensar e seguem em grupos. Pseudo líderes e o pior, induzem seus filhos, por eles bem educados, moralmente bem criados, a seguirem e até a brigar por eles, a histeria toma conta da comunidade, o meu é o melhor e vai solucionar todos os nossos problemas.

Hoje teve uma grande passeata, de uma das coligações que estão disputando o poder, vendendo o sonho de que agora chegou a hora. Durante todos estes anos acompanho as passeatas, da campanha e a da vitória, sempre vejo as mesmas pessoas, empunhando bandeiras dos melhores, sempre em cima de carrocerias ou dentro de velhos carros, alguns já trazem os netos, há alguns anos eram os filhos. Este político vai mudar? A única coisa que muda é o carro do bonitinho que sempre está na cabine, aquele da carroceria só sobra o sonho de que o futuro será agora.

MALDIÇÃO DO SINHOZINHO

Sempre ouço um comentário justificando porque Bonito tem dificuldades, normalmente arrumamos desculpas para nossas incompetências, e isto não é de hoje, desde meu tempo de criança, no século passado, toda dificuldade que a cidade passa a culpa sempre era e será da "MALDIÇÃO DO SINHOZINHO".

Escuto estas palavras ditas por pessoas nascidas aqui e de outros, vindos há tempos de outras regiões do país ou os chegados há pouco tempo, nunca falo nada apenas escuto, pois já se passaram sessenta anos desde a passagem dele por Bonito, e acredito eu que poucos entenderam o motivo de sua passagem pelo município.

Nós estamos em uma região que é um centro muito forte de energias, é um canalizador, tanto temos energias positivas como também muitas energias negativas. De sua passagem por Bonito, ele veio para trazer amor, assim como veio décadas depois João de Deus, outra entidade de grande espiritualidade.

Tento entender como as mensagens são compreendidas de forma errada, cada um interpreta de acordo com seu interesse. Como uma pessoa que passou por nosso município pregando a paz, o amor, a solidariedade, a irmandade, a espiritualidade, tendo a família como "o sagrado", teria deixado uma maldição para nossa comunidade ?

Conhecendo a minha terra como conheço, acompanho sua história , tendo visto e ouvido coisas de tirar pica pau do oco, sou um estudioso de comportamentos, sempre tive minha explicação para o legado de Sinhozinho, na sua passagem por Bonito, encontrou grande resistência por parte dos mandatários da época, tanto político como econômico, tendo ele conseguido ouvintes para suas pregações, suficientes para incomodar os importantes da época, trazendo medo e ciúme ao pensamento dominante. Perseguido e preso foi deportado para Ponta Porã, deixando uma mensagem para a comunidade de Bonito, sendo a mesma mal interpretada. A comunidade precisava mudar a postura comportamental, deixando de lado a ambição, o egoísmo e a individualidade, caso isto não acontecesse , não haveria mudança, aqui só se perde a individualidade quando se juntam para prejudicar algo ou alguém.

E realmente nós continuamos com o mesmo pensamento e comportamento de a sessenta anos atrás, não existe maldição e sim o continuísmo.

domingo, 19 de setembro de 2010

AINDA RESTAM OS GUAVIRAIS

Ontem eu e o Aldemir fomos catar guavira na fazenda do Dr. Laercio e na do Julinho. Quando la chegamos, voltei algumas décadas no passado, pois encontrei dezenas de pessoas que há muito tempo não via. Gente do nosso passado, pessoas humildes em carrocerias de velhos carros, já proibidos nas rodovias, engarupados em velhas e novas motocicletas, fazendeiros em cabines duplas. Passei uma boa parte do tempo observando-os passeando pelo guaviral.

Vendo-os disputando os pés de guavira, vi como a natureza é sábia, pois naquele momento, não existe hierarquia, status social, rico e pobre, todos são iguais, teem o mesmo direito, o melhor pé a melhor guavira. O primeiro que chegar é o dono. Vendo os meus conhecidos do tempo de criança, fiquei a olhar com tristeza e alegria ao mesmo tempo, todos estavam alegres e felizes no seu ambiente, na sua hora, curtindo uma tradição passada de pais para filhos há décadas, fiquei feliz ouvindo as gargalhadas, os gritos avisando os familiares que tinham encontrado uma boa moita com frutos grandes e doces. Apesar de toda alegria cheguei a uma triste conclusão: aos bonitenses, por enquanto SÓ SOBRARAM OS GUAVIRAIS.

Quando alguém que vem de outras regiões do Brasil, pergunta porque a paixão pela guavira, eu sempre falo: “Quando você conhecer e provar a fruta do paraíso entenderá esta paixão. Ela é tão importante em nossa sociedade, que historicamente, quando ela está com frutos, não tem um dono, ela pertence ao homem por direito da natureza, tanto que nestes dias o proprietário da terra perde seu direito de dono e os guavirais pertencem a todos da comunidade, o homem volta aos tempos primordiais e tudo pertence a todos, cercas e portões passam a não ter significados.”

Nov - 2008