segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Ultimo Tiro

Expectativa




Estamos inaugurando mais um ciclo de expectativas do agora vai. Tivemos a do Asfalto, ligando Bonito a Guia Lopes e ao resto do mundo civilizado, construção e inauguração do nosso tão sonhado aeroporto, nosso fantastico e importante Centro de Convenções e agora a tão sonhada ligação asfaltica ao mundo selvagem do Pantanal sul matogrossense.
O agora vai, voltou novamente, um novo ciclo de sonhos e novas frustrações estão novamente na telinha.
Na minha grade e tão comentada boçalidade o que vejo é que vamos disputar com o tão falado Pantanal os já minguados turistas que eles captam, ou vamos entregar a eles os poucos que nos procuram.
No meados dos anos oitenta, isto é, no seculo passado, quando Bonito começou um trabalho de receber visitas de outros estados, principalmente do Estado de São Paulo, alunos das escolas da Capital, que muito vinham a nossa cidade, começaram com varios dias no pantanal, e, um ou dois dias aqui, familias tambem faziam o mesmo roteiro, com o passar dos anos este roteiro se inverteu, cinco dias em Bonito e um ou dois no pantanal, outros anos se passaram e o pantanal praticamente foi abandonado, poucos vão visita-lo, ficando mais o day use. Não consigo ver um movimento tão grande de turistas do Pantanal para Bonito, e sim de Bonito para o Pantanal, em função do mercantilismo reinante em nossa cidade.
Hoje o turista reserva em nossa cidade cinco dias para passear, faz a reserva de hotel e passeios, quando chega, no terceiro dia algumas agências os dobram para irem ao Pantanal, tirando-os da cidade, pois ganham mais com a comissão do pantanal e a mafia do transporte, pensando mais no seu ganho imediato do que o bem da cidade.
Como nossa capacidade de captar é conhecidamente limitada ou praticamente nula, nós pouco vendemos e praticamente somos comprados, vamos dividir o pouco que nos procuram.
Bem, concluindo a tão sonhada pavimentação asfaltica ligando-nos a Bodoquena, passando esta euforia já deixo a dica para nossa futura e sonhanda expectativa final, vamos começar o projeto ufológico, uma base de pouso para naves espaciais, pois o turista do futuro , aquele que realmente vai movimentar Bonito, vem do espaço.
Não se esqueçam que como o turista de pesca do rio Miranda, o nosso rio, não tem nenhuma importancia para voces, a estrada de Bodoquena , é o nosso ultimo tiro.



















segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Obrigado Helena e Gilberto

Tenho várias paixões, minha vida é movida por esta bela palavra, todo dia estou apaixonado por algo e uma das minhas maiores são as mangueiras da cidade. Desde criança eu as curto e cultuo os pés de mangas como um grande presente de Deus dá muita alegria e prazer vendo-as nesta época do ano com seus maravilhosos frutos, como se fossem enfeites de natal.

Dentre as coisas da nossa cidade que não aproveitamos para o turismo, as mangueiras são uma delas, pois não se dá a elas o valor que tem. Praticamente todo turista que passa em frente de minha casa nesta época do ano, as minhas estão maravilhosas com seus belos e saborosos frutos e eles param, ficam olhando, comentam e quando tem fruta madura, pega para levar, muitos perguntam se temos aproveitamentos da quantidade de fruto que tem na cidade, digo que não, todos apodrecem, não se faz doce, suco, geléia, chutney, enfim...nada! Ficam indignados.

Agora, indignado fico eu quando chega aqui em Bonito um idiota, compra um imóvel e a primeira coisa que faz é derrubar o pé de manga. Nestes últimos anos com a chegada do grande desenvolvimento do nosso turismo sustentável e eco-turismo segundo todos menos eu, centenas de mangueiras foram destruídas por pessoas cultas e conscientes.

Algumas fazem parte da minha vida, da minha história. A mangueira da Tapera nasci embaixo dela, a da casa da minha mãe cresci brincando em seus galhos, catando seus frutos como faço até hoje, a do Arcanjo, as da tia Íria, e muito especial, única da espécie em Bonito, a mangueira da casa do tio Starde Xavier, carrego no corpo até hoje uma lembrança dela. Estava eu em seus galhos observando meus tios preparar o almoço do casamento da Lucy quando cochilei e caí de cabeça no chão, minha lesão na coluna é presente dela.

Estou escrevendo porque hoje, depois de anos graças a sensibilidade e a racionalidade de um casal, eu comi manga da árvore do tio Starde, fiquei emocionado e feliz por eles terem comprado o terreno e escolhido o local para morar. Sendo um terreno pequeno, fizeram uma bela casa, criaram os filhos e não derrubaram a mangueira, catando seus frutos, como eu faço, da varanda. Estou escrevendo esta matéria pra dizer muito obrigado Helena e Gilberto Peres ou como todos conhecem Helena e Gilberto do Bonsai.’

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Fluminense, o lexotan do futebol

Esta nem Galvão notou! Ganhamos o campeonato carioca no centenário do Flamengo, agora ganhamos o nacional no centenário do Corinthians, acabamos com a festa das duas maiores torcidas do país. Nos seus aniversários mais importantes, não conseguiram comemorar estas datas com conquistas de tal grandeza. O fluminense é um estraga festa ou um catalisador de humildade nestas duas derrotas das torcidas mais apaixonadas do Brasil? Fico imaginando quantos problemas foram evitados; brigas, acidentes, enfim, foi bom para o futebol e para todos os outros torcedores.

Ganhamos o Campeonato carioca com um gol de barriga de um gaúcho. E o campeonato nacional com a raça de, imaginem..... UM ARGENTINO.

Nós não fizemos carreata, a prefeitura proíbe carreata com menos de dez pessoas.

domingo, 28 de novembro de 2010

Melhor destino de Ecoturismo

Pelo 9º ano consecutivo, meu filho "modelo de gestão", bonito termo, ganhou o prêmio de melhor destino de ecoturismo do Brasil, todos estão muito felizes, como sempre sou do contra... Estou triste.

Não vejo em minha cidade o significado real de ecoturismo, palavra bonita e com grande apelo social.

Como sempre digo: "por fora bela viola, por dentro pão bolorento" ou "pra inglês ver", não sei a origem destes termos, mas sempre escutei.

Onde está o ecoturismo em Bonito?

O turista quando vota tem noção do significado?

Esteve aqui ou ouviu falar, conheceu nossa história, nosso povo, nossa vida ou só filét com fritas?

O pior turista do mundo é o do filét com fritas, pois não serve de referência.

Com uma cidade em que o jovem não tem motivação para estudar, o nativo está jogando as margens do acontecimento, não participa do bolo do turismo. A cultura, a história e o povo são marginalizados pelo empresariado, onde está o ecoturismo, onde está inserido, em todo este movimento o “Bonitense”?

Para mim, nessa grande ignorância que tenho, nós temos um turismo de contemplação de natureza que é outra coisa. Este prêmio só nos atrapalha, uma vez até que seria aceitável agora nove é demais, cada ano recebido, a cidade fica mais burra e arrogante.

Há mais de uma década que estamos parados no tempo, temos sim atrativos maravilhosos e bem estruturados, mas não temos na cidade estrutura pra receber um tipo de turista que faz a diferença em um destino turístico. O turista de alto nível de consumo nenhum é melhor que o outro, nenhuma classe social é melhor que a outra, mas no turismo precisamos de pessoas de um padrão alto de consumo e exigências, para conseguimos atingir um padrão de qualidade que acaba trazendo benefícios a todos os consumidores.

Por que será que nós não decolamos para o mundo? – O que temos de atrativo é único, nossa estrutura é ultrapassada, nosso trabalho é medíocre, nosso povo é abandonado, vivem de subemprego, baixos salários e ainda ganhamos "PRÊMIO".

Parem pra pensar.

Tenho filhos, de todos os jeitos: de sangue, do coração "são muitos" e imaterial. Agora vou falar de outro filho tão importante ou mais que o voucher único, o Festival da Guavira.

Estou triste, pois sempre “prêmios” e nunca “críticas” e isto atrapalha a evolução.

Estou triste porque o Festival da Guavira e todo seu projeto de desenvolvimento sustentável que colocaria Bonito no rumo do ecoturismo estão sendo destruído por não ter apelo de marketing fora da nossa fronteira para a mentalidade atual não tem nenhum valor, somente despesa. É festa pra pobre!

Eu vejo pessoas de minha infância passando pela Pilad Rebuá como estrangeiros, pois hoje eles são desconhecidos, não estão inseridos na nova vida de sua cidade. Uma grande exclusão social ganhando prêmio nacional.

domingo, 14 de novembro de 2010

Festival da Guavira

Por muitos anos tive um sonho, criar em nossa cidade um motivador social, algo que congregasse todo bonitense sob a mesma bandeira, um interesse comum. Sempre observei que o mesmo estava ficando as margens dos acontecimentos da comunidade, um produto de enganjamento comunitário, um resgate da cultura e da história, um fixador do homem em sua origem.
Independente das brincadeiras, do desprezo de algumas pessoas "pseudamente importantes" e graças ao apoio do então governador Zeca do PT, o Festival da Guavira saiu do sonho, tornando-se realidade. O Festival não nasceu apenas pra ser um "SOM" na praça e "COMER" algumas guaviras. Ele seria e um dia vai ser um grande projeto de desenvolvimento sustentável. Mas só quando for levado a sério.
Foi criado, assim como o Voucher Único, para ser muito importante e trazer benefícios para a sociedade, os dois nunca foram bem explicados, pois o criador nunca é ouvido.
O Festival tem vários itens a serem conquistados, alguns já foram. Vejam:
  1. Participação e enganjamento de toda comunidade bonitense, a integração da comunidade a festa e a identificação de que foi criada pra eles, este tópico foi alcançado, " o Festival da Guavira é a festa do bonitense".
  2. Valorização e preservação dos guavirais, este está sendo conquistado. Já existe uma grande conscientização do proprietário rural da importância dos guavirais.
  3. Divulgação e resgate da cultura sulmatogrossense sendo a música com seus poetas maravilhosos, a grande âncora da cultura. Estamos engatinhando, poderíamos divulgar nossos cantores através de Bonito, Caruarí no Pernambuco faz isso.
  4. A guavira normalmente produz em terra pobre, areia, cascalho e terras de pouco valor. Hoje existe mais em pequenas e médias propriedades, tendo um trabalho comercial, o extrativismo seguraria o pequeno proprietário em sua propriedade, pois a fruta explorada teria um bom valor comercial, hoje sem industrialização a guavira já dá retorno, mais que o boi e o soja.
  5. Criar pequenas cooperativas de donas de casa para a industrialização da guavira e outros produtos, o ex projeto Pé da Serra, no assentamento Santa Lúcia, mas com apoio sério do trade e do poder público para a confecção, divulgação, consumo e venda.
  6. Criar um selo para produtos produzidos em Bonito, pois temos um nome reconhecido internacionalmente, tudo que produzirmos tendo um "Selo de Bonito" será vendido.
  7. Criar um evento que traria turistas a nossa cidade mantendo a comunidade trabalhando, novembro todo e parte de dezembro, época de pouco movimento.
  8. Motivar a comunidade a resgatar sua história, sua gastronomia, sua vida esquecida.
  9. Integrar o trade a comunidade, a alta sociedade ao povão, nestes anos de festival vou a praça pra ver quem está junto ao povo, nunca vejo nenhum hoteleiro a não ser o Afonsinho, dono de agência só o Juca e a Mariazinha. Pra grande maioria dos importantes, nossa cultura, nossa história não tem valor. Uma cidade turística onde a sua história não tem valor. "Vão reclamar do que pra quem!".
  10. Gerar renda extra, tendo industrialização da guavira, um catador ganha mais de R$80,00 por dia, estas pessoas são desempregados da nossa comunidade.
Muitas mudanças importantes para a nossa comunidade, estão sendo disperdiçadas por falta de interesse das pessoas responsáveis pela cidade.
A cidade não é de responsabilidade apenas do poder público, mas também de todos os munícipes, pois é onde ele vive.
Não deixe o que é importante e já existe acabar.

Só conhece a miséria quem a teve como parteira

Nestes oito anos de Lula, muito tenho ouvido sobre os programas sociais de seu governo, os termos sempre são os mesmos: “ajudando vagabundo”, “induzindo a preguiça”, “pobre nunca quis trabalhar” e outros adjetivos carinhosos de quem conhece a vida.

Tivemos oito anos, também de administração de um governo socialista, mas de academias. Pessoas nascidas em berço esplêndido que só conheciam a miséria através de literatura e pesquisa de alguns acadêmicos.

O que é miséria para os bens nascidos, trocar picanha por maminha, camarão por merluza ou Chanel por Natura?

Às vezes fico a pensar como as pessoas que não a conhecem a imaginam. Ela existe em poucos lugares do Sul e Sudeste, bastante no Centro-Oeste e muito no Norte e Nordeste do país.

Todos os comentários que ouvi nestes últimos anos partiram de pessoas sem nenhum conhecimento de amor, solidariedade e fraternidade. Por pessoas que, se não fosse do seu círculo de convivência ou interesses, tudo que é feito fora de seu universo não tem nenhum valor ou importância, dinheiro e tempo jogado fora.

Sempre acreditei que somente uma pessoa saída da miséria, com todos os sofrimentos que ela conhece, trazendo consigo a esperança de mudanças e muito amor para realizá-los, conseguiria quebrar os grilhões do impossível, mostrando que com pequenos projetos sociais, atingiria todos aqueles que sempre orbitaram as margens das oportunidades que este grande país, conhecido como a terra das oportunidades, sempre os alijou.

Vendo os oito anos de governo Lula, as conquistas dos miseráveis, as perspectivas de um futuro melhor e oportunidades que nunca tiveram. Será que não valeu à pena?

A vida é como um câncer, uns vencem outros perdem... Os que perdem não souberam lutar?

Medicina

Em todos os anos de minha vida, em que me lembro, escutei, menos em minha casa, pois meus pais não falavam: “Eu quero um filho médico.”

Com o passar dos anos, fui entendendo porque falavam isso. Médico ganha muito dinheiro, não existe médico pobre. No meu tempo de criança eles eram médicos e fazendeiros: Dr. Garcia, Dr. Alencar, Dr. Cupertini dono da Pitangueira e outros.

Era e é a profissão de futuro, tudo é garantido para o médico, respeito, dinheiro, emprego, todas as conquistas da sociedade. Por pior profissional que seja, ganha no mínimo R$10.000,00 por mês.

Com o passar do tempo, observando o andar da sociedade, fazendo parte dela e tendo estudado - fiz Direito e não medicina - criei a minha teoria sobre a importância do estudar e aprender. Desde os meus tempos de estudante observei meus colegas de curso e alunos dos outros existentes. O meu universo de estudo é limitado, conversei e converso com estudantes aqui do meu estado e às vezes tenho acesso a estudantes de outros locais.

Sempre escutei a mesma história, dedicação integral ao curso vinte e quatro horas por dia, trinta dias por mês, trezentos e sessenta e cinco dias do ano e seis anos de estudo. Calma! A residência é depois, durante seis anos o aluno vive em função do curso de medicina, independente se faz uma faculdade pública ou particular o envolvimento é o mesmo, estudar muito e trabalhar bastante sem receber nada a não ser o conhecimento.

Se todos os alunos dos outros cursos existentes estudassem e estagiassem gratuitamente como o mesmo empenho que o estudante de medicina, não existiria profissão ruim ou mal remunerada. Tirando a medicina, todo estagiário pensa mais no retorno financeiro do que o retorno do aprendizado dos próprios pais. Já quando estudantes são bem pagos, a maioria se preocupa com o ganho e o passar de ano, independente do conhecimento.

Se você estudar e trabalhar tanto quanto um estudante de medicina, você será um profissional de sucesso.