terça-feira, 6 de julho de 2010

A necessidade de mudanças

Tenho um amigo que sempre me procura para saber minha opinião sobre determinados assuntos, pois sabendo ele o que eu penso, ele já sabe o pensamento da cidade. Nunca bate.

No final da administração do Geraldo Marques ele me procurou e comentou que o prefeito havia desfeito o COMTUR. O que eu achava? Disse que foi a melhor coisa que aconteceu. Comentou então que a cidade não aceitaria. Perguntei a ele o que o Comtur fez até hoje de importante a não ser me expulsar na primeira reunião em que participei, sendo eu o único nativo membro do conselho. Falei: espero que o próximo prefeito crie um novo e ativo Conselho, pegando de cada segmento que tem direito a um representante, o que este tem de melhor. Vamos fazer um Conselho atuante e revolucionário.

Não deu certo!

Aqueles empresários que realmente podem fazer a diferença foram expulsos das reuniões e discussões importantes por pessoas medíocres, sem conhecimento da grandeza do turismo, e recém chegadas ao ramo, oriundos aqui da cidade e de outros lugares, se intitulando conhecedores do DESCONHECIDO. Estas pessoas importantes e desperdiçadas, com tantos afazeres em seus segmentos, depois de ouvirem tantas asneiras em reuniões, CANSARAM. Assim as reuniões passaram a ser vazias e sem fundamento.

Hoje eu faço uma pergunta a este amigo:

- Das pessoas que estão hoje no grande Conselho, os ditos representantes do TRADE, alguém sabe o que é turismo, sabe o que esta fazendo ou só estão se aproveitando da fama e do nome da nossa cidade?

Faço esta pergunta pelos seguintes motivos:

I. No mês de junho de 2009 foi feita em nossa cidade, provavelmente, a maior apreensão de carne de caça do Brasil. este assunto sem importância na cidade, ganhadora de prêmios de melhor destino de Ecoturismo do país, não entrou em pauta para discussão do grande Conselho. Um dos conselheiros é representante do Instituto Chico Mendes.

II. A cidade sempre sonhou com o aeroporto funcionando. Ele está. Temos vôo direto Rio, São José, Campo Grande e Bonito. O Rio tem mais de 10 milhões de habitantes. São José do Rio Preto e cidades circunvizinhas, acredito eu terem mais uns 6 milhões de habitantes, de alto poder aquisitivo. Pergunto: - Os representantes diretos do turismo no grande Conselho sabem da importância deste vôo para nossa cidade? Algum dia discutira uma forma de vender Bonito nestas cidades? Com certeza não.

III. Vocês ainda acreditam que quem mora no rico interior de São Paulo pegaria a família, iria à capital deixar seu carro em uma garagem para pegar um avião para Bonito? O mesmo acontecendo com o pessoal do interior do Paraná. Quem sairia de Londrina, Maringá ou Cascavel, e iria até Curitiba para pegar um avião para nossa cidade? Não vamos esperar que o Aeroporto trabalhe sozinho e que seja o salvador da pátria. Acordem! Onde está nosso marketing para interior destes estados?

IV. Porque o sulmatogrossense não é importante para nossa cidade? Na minha ignorância sempre acreditei que é o melhor público para captar, pois é o consumidor que mais perto está de nossas belezas. Já pensaram em fazer um trabalho para desmistificar, junto a eles, que nossos preços são caros? Ou eles não são importantes?

V. O Mato Grosso do Sul é conhecido no Brasil também como um estado de rios piscosos. Acredito que recebemos mais de 500 mil turistas de pesca todos os anos Eles vêm nos meses de baixa temporada para nosso turismo de natureza (março a final de outubro). Já estão aqui. Não é preciso ir a seus estados de origem captá-los, pois já ouviram falar de nós. Ou eles também não têm importância para a falsa moralidade do Ecoturismo?

VI. Tirando as praias, nós temos a melhor logística do Brasil. Todos os destinos que trabalham com natureza, e são nossos concorrentes, não têm o privilegio que nós temos. Nenhum tem belezas como as nossas nem a proximidade de grandes mercados consumidores. Estamos a 300 km de Dourados e Campo Grande. 700 km de Assunção, interior de São Paulo e Paraná. Estamos ao lado da Bolívia, não esquecendo que Paraguai e Bolivia não têm praias. Onde estão as nossas discussões sobre esta dádiva?

VII. Bonito é o paraíso, mas para se ter acesso ao paraíso não é simples. Precisa de amor, abdicação, cessão, humildade e desprendimento mundano. Como vamos trazer pessoas ao paraíso se não sabemos lidar com ele?

VIII. Dizem que sou invejoso, pessimista, revoltado, mal humorado, frustrado e mal agradecido. Não me importo! Minha parte eu já fiz. Fiquei muitos anos afastado das discussões e decisões sobre o futuro do turismo em minha cidade. Mas existem três coisas que realmente me tiram do sério: Mediocridade, Teimosia e Burrice. E isto é o tripé que sustenta o pensamento reinante no nosso Conselho e boa parte do TRADE.

IX. Se existe uma pessoa que tem o direito de falar, esta pessoa sou eu. A cidade se tornou conhecida e respeitada no Brasil e no exterior e ganhou vários prêmios importantes graças a um trabalho feito por mim. Obra de um só pai, o famoso e falado “Voucher Único”, que transformou a cidade em um modelo de gestão único no país e reverenciado em todo o território nacional.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Quero voltar a ser índio

Há exatamente 27 anos e seis meses que eu não ficava à toa tantos dias como estou agora, com a reforma do Tapera. Desde que eu abri o restaurante nunca tirei férias, a não ser uma semana em 2005, fomos à praia e choveu todos os dias.
Hoje eu descobri como é bom não fazer nada, bater perna o dia todo, encontrar pessoas, conversar, ir à beira do rio, não ter obrigações de abrir o restaurante, ter comida pronta na hora certa, abrir de dia, abrir a noite, todos os dias do mês, todos os dias do ano.
Estando as margens do formoso, pensei como eu queria ser índio, ficar pescando, caçando, sem compromisso a não ser com a sobrevivência, como seria bom, não estar nem aí se o filho estuda, namora, dorme cedo, vê computador, tem internet, conta de água, luz, impostos, que inveja...Eta gente feliz!
Daí, levei um choque, uma fase de minha vida eu fui índio, olho pra trás e vejo a vida como ela era. Pescava, caçava e não tinha compromisso com nada.
Imaginem vocês, pesquei de arpão em todo o formoso, inclusive Balneário Municipal e Bonito Aventura, pesquei no Aquário e no Rio Sucuri, só não fui ao Prata, para a nossa preguiça era muito longe, daria muito trabalho. Caçávamos em todos os recantos do município, inclusive na região do Aquário.

Como tenho saudades da minha vida de índio.
Toda a minha infância, adolescência e parte da fase adulta, esta era a minha vida, única coisa que atrapalhava é que eu tinha que estudar, senão seria perfeito.
Proibiu-se a pesca nestes locais a caça foi proibida no Brasil inteiro, e todos nós temos que estudar para acompanhar esta evolução do "Homem Moderno".
Este texto não é uma apologia a pesca, a caça ou não ir a aula, não estudar e sim, uma saudade de um tempo gostoso que na atualidade não tem como existir.

Expectativa Frustrada

Estamos acabando a baixa temporada de 2010, talvez a pior dos últimos 10 anos e pra completar, "Copa do Mundo", todos estão em contagem regressiva pra julho.
Tivemos em 2009, um ano fabuloso para todo o nosso comércio, a comunidade estava em estado de graça, sonhado repetir em 2010 o mesmo movimento.
O ano está sendo frustrante pra praticamente a maioria das empresas. Na minha visão, apenas dois fatores nos ajudaram a ter um ano financeiro magnífico em 2009:
  1. Desastre no final do ano de 2008, que destruiu o verão de Santa Catarina. Gaúchos, catarinenses, sulmatogrossenses, paranaenses, enfim, milhares de pessoas que passavam final de ano e começo de ano nas paradisíacas praias catarinenses, não viajaram pra lá, milhares de paraguaios. Tivemos um verão maravilhoso financeiramente falando.
  2. Gripe suína, aparecendo no final de abril assustando o mundo. Milhares de turistas que iriam pra fora do país optaram por não viajar, nossos concorrente de inverno, México, Flórida, Chile e Argentina tiveram grandes debandagens de brasileiros. O Rio Grande do Sul, grande destino de inveno foi o Estado que mais sofreu com a calamidade, tendo inclusive seus cidadãos saídos do Estado para outros lugares à salvos da gripe.

Estas duas calamidades ajudaram Bonito a captar estes turistas. Quem tem hábito e dinheiro para passear com a família, mudam o roteiro programado e vai a um novo destino sem grandes dificuldades.
Perdemos mais um ano por falta de visão e planejamento, nos estamos iguais pais relapso, o culpado do filho não prestar, são as companhias, nunca a culpa é nossa.
Culpamos o dólar, falta de vôo e nunca nossas incompetências organizacionais e empresariais, que sempre têm uma desculpa.
Praticamente sozinhos fizemos um trabalho que o Brasil todo admira, será que perdemos a capacidade de criar e inovar?

Não adianta perdermos tempo com reuniões inúteis, discutir com pessoas que nada têm à oferecer, esqueçam as associações e seus interesses, vamos olhar o interesse maior que é a comunidade, não vamos nos esquecer do primeiro semestre de 2011, ele já está chegando!
Diz à lenda que temos na cidade 130 associações. Como isto pode funcionar?
"Quem mata filho não é a sociedade. São os pais!"

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Turismo de pesca no rio Miranda

É muito comum ouvir a frase "proibido pescar em Bonito", como se esta proibição atingisse todos os recantos do município esquecendo-se que Bonito tem o maravilhoso Rio Miranda, separando-o dos seguintes município: Jardim, Guia Lopes da Laguna, Nioaque, Anastácio e Miranda, sendo que temos em nosso município uma grande estrutura montada para o turismo de pesca, hotéis, pousadas, loteamentos com dezenas de casa. Alguns hotéis e pousadas com estruturas melhores do que muitos existentes na cidade.
Por que esta estrutura rica e funcionando a tantos anos, não faz parte do roteiro turístico de nossa cidade. Todos os anos, de Março a Novembro, esta estrutura recebe mais ou menos 60.000 turistas de pesca, vindos de todos os lugares do Brasil, principalmente do interior de São Paulo. Boa parte das residências existentes nos loteamentos são de paulistas que vêem à Bonito várias vezes ao ano. Pessoas estas com um grande potêncial de consumo, empresários, industriais, profissionais liberais, etc.
Qual a importância destes turistas para a economia de Bonito?
Nenhuma, segundo o pensamento existente e dominante dos nossos empresários de turismo e guias.
Segundo nossos gênios pensantes, nós somos ecoturismo, pesca agride o nosso paraíso, nosso nome e vai contra a grande preservação de Bonito. Acreditam que pescadores não respeitam a natureza, como se nós a respeitássemos.
Mas por falar em ecoturismo, "eco empresários", "eco guias", "eco funcionários" e "eco respeito" este mês estamos comemorando "1 ano" de talvez a MAIOR APREENSÃO DE CARNE DE CAÇA DO BRASIL.
Qual a participação do trade nisto?
Será o assunto para a próxima matéria.
Vamos voltar a pesca!
Desde que começamos a explorar o turismo comercialmente, temos dificuldades de ocupação nos meses compreendidos entre março a novembro, com excessão de parte de julho e pedaços de setembro e outubro. No resto dos tempos passamos praticamente "as moscas" e tendo a apenas 50 km de distância milhares de potenciais compradores e em suas cidades de origem, milhares de esposas que também poderiam estar conosco, principalmente "elas", o melhor público para a nossa cidade.
Normalmente, quando o homem sai pra pescar, fica vários dias fora de casa, a esposa gostaria de ir junto mas, dificilmente gosta de pescar embora gostaria de estar por perto.
Nós em Bonito temos esta grande vantagem, elas estariam em um local magnífico, desejo de consumo de todos, estando praticamente ao lado dos maridos pescadores.
Vocês já notaram que estão dando "tiro no pé" cada vez que falamos pra um turista que não se pesca em Bonito?
Que estamos trabalhando contra a nossa própria existência comercial!
Quando você fala para seu hospede que não se pesca em Bonito, ele fecha a conta, vai para Miranda, Porto Murtinho ou Corumbá e nos abandona, podendo acontecer o contrário, ficar hospedado em nossa cidade, sair cedinho, passar o dia pescando no nosso rio Miranda, curtir uma pescaria com a família e voltar pra dormir em nossos hotéis. Parando de expulsar o que já está na cidade nos pedindo informação de pesca, já começaremos a lucrar bastante, imagine quando conquistarmos o que está vindo pescar no nosso "Rio Miranda".
Se conseguirmos atingir 10% das mulheres dos pescadores do rio Miranda teremos mais ou menos 6.000 mulheres em Bonito entre março a novembro.
Em se comparando é o equivalente a 60 aviões por ano com 100 passageiros cada, 150 ônibus com 40 pessoas cada, isso é só as mulheres possíveis de se conseguir atrair para ficar conosco, sem contar com o número exato de se conquistar, que são os esposos, presente em nosso município.
Toda esta estrutura pertence ao nosso município. É de Bonito! Qual a participação na arrecadação municipal?
Pagam impostos?
Emitem voucher pra cada barco saindo pra pescar, pagam o ISS? Eles tem vantagens em serem e terem essas estruturas em Bonito?
Tem escolas?
Tem Saúde?
O poder público olha com carinho pra eles?
Os tratam também como parte importante da sociedade Bonitense?
Hoje, quem tem acima de 40 anos e está passeando com a família , um dia pescou com o pai ou com um tio. Até pouco tempo nós éramos uns pais interioranos, quantos pais hoje estão passeando e gostariam de pescar com os filhos? Quanto estamos perdendo?
Já pensaram quantas famílias poderiam antecipar a saída das férias de julho e vir pra Bonito passear e pescar com os filhos?
Toda essa história de pesca, escondida embaixo do tapete, por quê não muda?
Quem é o culpado?
Por que não enxergamos a importância?
O novo empresário, este que chegou nos últimos 10 anos, ouvindo a conversa da proibição, ele é culpado por não procurar se informar?
Em entrar no ritmo do tiro no pé?
Bonito pra melhorar, precisa desmistificar várias coisas,a pesca é uma delas.
Tivemos por alguns anos, uma faculdade particular de turismo que também passou batida em relação a pesca. No meio acadêmico este assunto era tabu, por quê?
Como uma faculdade que se dispôs a ensinar, forma e qualificar turismologos, não viu a importância nesta estrutura?
Não ouvi falar em nenhuma pesquisa feita por alunos ou professores, nenhuma monografia, trabalhos estes que seriam muito importante para o desenvolvimento do nosso turismo.
AH! Ela fechou!
Agora, temos uma faculdade federal de turismo, ótimo!
Pergunto:
Já começou a discussão, a integração cidade de turismo de contemplação e uso da natureza e não ecoturismo como se intitula, com a grande e importante estrutura de pesca do nosso rio Miranda em nosso município?
Não pode passar batido novamente!Vamos enfim, compreender que o turismo de pesca é legal, existe e é muito importante para a economia de Bonito!
Vamos esquecer nossa ignorância e radicalismo, temos como reverter o quadro econômicoSerá que isto não é importante?
Vamos pensar com carinho!












domingo, 30 de maio de 2010

Enzo Camajoly um visionário a frente de seu tempo


Amigos sempre me cobram que tenho que escrever e sempre fico esperando o dia certo, pois acreditam eles, que tenho bastante assunto pra por no papel. Hoje resolvi começar, pois descobri que todos nós temos histórias pra contar e temos obrigação para com alguns personagens da nossa vida e da comunidade em que vivemos.
Vou começar com uma pessoa de que poucos ouviram falar ou conheceram, mais muito importante para o Bonito de hoje e de ontem, pela visão futurista e humanitária deste personagem.
Quando eu era criança, na década de sessenta andava por Bonito um personagem diferente, exótico, um senhor de cabelos brancos, de poucas ou nenhuma palavra, perguntando aos meus pais, descobri ser o dono de uma imensa fazenda na Serra da Bodoquena, chamada "Villa Quartezana", este simpático personagem era um engenheiro italiano. Quando morava em seu país fez o primeiro projeto de reforma agrária na Itália pós guerra, logo em seguida mudou-se para o Brasil, tendo conhecido Bonito na década de 50. Não fugindo a regra apaixonou-se, tendo logo em seguida comprado sua propriedade dos sonhos, tendo feito amizade com tradicional comerciante de Bonito, deixando sua propriedade aos cuidados dele. Este amigo chamava-se João Baptista Flores, filho de tradicional família bonitense, tendo montado a primeira oficina mecânica de Bonito e posteriormente a primeira auto peças do município.
O mais interessante da história do italiano é que não comprou a fazenda para exploração agropecuária e sim por ter se apaixonado pela região e pretendia preservá-la. Houve algumas tentativas de invasões, pois achavam que a área estava abandonada, mas nenhuma com sucesso.
A grande dificuldade de manter a área intacta veio de onde menos se esperava, a "burrice eterna" da burocracia nacional na década de 80, começou a grande cruzada burra da desapropriação das terras improdutivas para reforma agrária, sem fundamentação lógica de terra produtiva ou terra permanentemente área de preservação que era o caso da Serra da Bodoquena.
Com a ameaça de desapropriação, Dr. Enzo partiu para um projeto de exploração florestal, coisa que nunca quiz.
Contratou um engenheiro florestal e fez um dos primeiros projetos de manejo florestal conhecido no Estado. Buscou na época, trabalhar tal qual o sistema filandêz, a idéia era dividir a propriedade em mais ou menos vinte áreas de 500 hectares e explorar madeira acima de trinta centímetros de tronco, para quando vinte e poucos anos depois, voltasse ao primeiro lote, as árvores já estariam grandes e nunca esgotaria o potencial florestal.
Mas independente do projeto, estando aqui em Bonito, nos anos de 84 e 85, sua esposa e filha, Dna Maria e Hérica, ficaram preocupadas com o desenrolar da história, também comungavam a idéia de preservação de toda a área.
Eram elas minhas clientes aqui no restaurante, sempre conversávamos da preocupação que o Dr. Enzo tinha com a distruição da floresta, quando perguntei a elas se topariam transformar as fazendas em Parque Nacional, prontamente elas aceitaram a idéia, por coincidência naqueles dias estavam no município uma equipe do antigo IBDF, com eles uma moça muito simpática, comentei a história da família, o perigo da desapropriação para reforma agrária e que topavam transformar as propriedades em área de Parque Nacional. Pedi uma luz, como poderíamos solucionar este caso, salvando a propriedade do provável assentamento.
Como na época eu era vereador, disse-me ela que se eu entrasse com uma indicação na Câmara pedindo ao IBDF a transformação desta área em Parque Nacional e a Câmara aceitasse o pedido, sendo também homologado pelo prefeito, com certeza a idéia de desapropriação seria paralizado pois, o órgão se interessaria pelo parque e iria contra o futuro assentamento na serra, sendo que, as fazendas Harmonia, Campo Verde também na época o desmatamento para formação de pastagem e exploração de madeira. Fizemos toda a papelada (documentação), mandamos pra Brasília e acredito que a idéia tenha dado certo.
A exploração madereira não foi o esperado pela família, logo venderam a propriedade para um pessoal do Paraná, da qual foi bastante explorada, perdendo quase que a totalidade de sua riqueza florestal, como boa parte das propriedades da Serra.
Passaram-se os anos e o sonho do engenheiro italiano tornou-se realidade, pelo menos para ele, pois o Parque Nacional da Serra da Bodoquena tornou-se em parte realidade pois a coincidência do destino, uma das poucass áreas desapropriadas e "paga" é justamente o local onde se encontra a sede do Parque é a fazenda do visionário Enzo Camajoly.
Lembrei de escrever esta pequena história, dentro da grande história de Bonito, pois recebi em minha casa a poucos dias a filha deste senhor "amante da vida". Hérica, depois de muitos anos veio visitar Bonito, rever os amigos e lembrar de uma passado importante para ela e pra Bonito.


quinta-feira, 27 de maio de 2010

"Como ter competentes se não sou!"



Muito tenho ouvido nestes últimos anos, referências a preguiça, má vontade, vagabundagem, dificuldade de aprender, enfim, a incapacidade do bonitense de aprender ou trabalhar nesta grande maravilha que é o turismo.
Unanimidade entre os nossos grandes e capacitados empresários de turismo. Pessoas estas, com grande qualificação em gerenciamento. Dotadas de grande visão da grandeza e da importância do turismo na concepção "deles", e não da vida real "onde eles vivem".
Se procurar um nativo em um cargo de certa importância na administração do turismo, sendo público ou privado é difícil encontrar, praticamente todos estão ocupados por pessoas vindas de fora.
Por que será que está acontecendo isto?
Você já parou pra se perguntar?
Mais, tem importância?
Qual a importância do turismo para os nativos?
Qual a participação deles no traide?
Praticamente todos os empresários envolvidos no turismo, vieram para o novo eldorado sem saber o que estavam fazendo. Abriram hotéis sem conhecer hotelaria, agência sem saber como funcinam, restaurantes sem saber fritar um ovo, lojas sem saberem o que é um suvenir.
Quando você abriu sua empresa, sabia ensinar seu funcionário?
Como pegar um nativo e qualificá-lo, se o dono não sabia o que estava fazendo, não tinha conhecimento do que se propos à fazer, tinha que achar uma mão de obra pronta, usando um termo da construção civil, começou a importar o peão"meia colher".
Começaram a discriminar a mão de obra local, pois a mesma não tinha qualificação, começou a sobrar pra ela, somente o serviço básico e rudimentar.
O tempo foi passando e hoje acredito que nos cargos que requerem uma qualificação básica, a maior parte está ocupada por pessoas vindas de outras cidades.
Ham! Qualificação básica? - Tá louco! - Não sabe o que está falando!
Qualificação quer dizer ética, respeito, amor, compromisso total com seu cliente, trabalhar por ele e pra ele; e não é o que normalmente acontece. Trabalhar pensando em si e no lucro imediato, passando por cima de todos os princípios existentes.
O que mais se escuta dentre os empresários de turismo é que o povo daqui não quer nada com nada, mas voces já se perguntaram como eles foram tratados e são até hoje? O que sobrou ? Apenas o onus de dividir sua cidade, seu balneário, as verbas da saúde e da educação que são insuficientes.
Perdendo o respeito ao seu passado, a sua identidade, sua história e sua cultura, nada é respeitado.
Alguém sabe qual a diferença entre a agricultura, a pecuária e o turismo pra o bonitense?
"Nenhuma!" já viveram e vivem os três ciclos e nada mudou. Emprego básico, salário base da categoria, emppresas ganhando muito e funcionários ganhando pouco.
Agora, vocês já pararam para pensar que nós temos um povo ordeiro, honesto e compreensivo?
Para vocês isso tem valor?
Temos pousadas, hotéis em todos os locais da cidade, o nosso turismo passeia durante a noite, vindo de todos estes empreendimentos sem serem molestados. Nunca houve um assalto, um assédio sequer.
Nossa tranquilidade, a segurança e paz advém de termos uma comunidade decente e inocente, nos grande centros valeriam ouro. E aqui?
Já notaram que nosso povo é descente e inocente e que nos grandes centros valeriam uma fortuna e aqui não vale nada?
Está na hora de acordar e rever valores e conceitos, menos valores financeiros e preconceitos. Vamos valorizar este celeiro de pessoas com grande potencial.
Sempre se discute a qualificação a profissionalização da cidade, como se o funcionário fosse o culpado.
Enquanto não qualificar e profissionalizar "o dono", não se consegue mudanças. A cidade começou errada, precisamos voltar ao útero e repensar tudo novamente.
A.C. Silveira Soares