sábado, 28 de maio de 2011

Meu amigo

Meu irmão

Não saímos do mesmo ventre

Mas nascemos do coração


Sangue é muito forte

Traz consigo perpetuação

Mas nem sempre cria

Amor e gratidão


Ter um amigo irmão

É conquista e realização

Poucas pessoas conseguem

Tal graça e satisfação


Um coração de amizade, carinho e compreensão

Respeito, desacertos recheados com discussão

Mas afinal é briga de irmão


Conseguimos apesar da distância

Criar laços fraternais

O respeito e admiração

Passa pela alma e chega ao coração.


Para João Francisco Leite Vieira.


sábado, 30 de abril de 2011

Modismo – Valores

Hoje descobri como perdemos boa parte de nosso passado, araras pousaram no pé de manga da dona Fany, alguém conhece? - Viúva do Nito Farias. Lembrei do tempo de criança quando o Beto e Tadeu da tia Tuca tinham uma arara de estimação e ela os chamava o dia todo, o nome dela era Pancho.

Durante os primeiros vinte anos de minha existência observei que praticamente todas as residências da cidade tinham plantado em seus quintais parreiras, fruta do conde e paraíso (cinamomo), sendo este último quem atraía as araras e os papagaios, em minha casa tinha dois. Esta semana o Antero comentou de umas ararinhas que vinham muito e nós sempre as caçávamos. Há muitos anos que elas não vêm, não somos nós os culpados. Da natureza, só nos sobrou à baderna das aranquans que hoje invadem a cidade, da vontade de voltar a usar a funda e a espingarda de pressão, cinco horas da manhã. _ Ninguém merece!

É muito raro encontrar uma dessas plantas em qualquer residência da cidade, com as mudanças, as transformações que a comunidade passou e a perda de identidade. Elas desapareceram e junto com as mangueiras que estão seguindo o mesmo caminho, para o novo pensamento estas coisas não tem valor.

Como uma cidade turística de tal nome perdeu seu passado para o modismo e novos valores?

Para onde estamos caminhando?

Como tenho saudades do meu passado que foi muito importante. Perdemos tanto a identidade que até a ave oficial do município é um pássaro desconhecido para os da terra, como a nossa comida típica oficial “o jacaré”, nada tem a ver conosco, pelo contrario, incentiva a caça e comercialização ilegal. Nosso fornecedor oficial às vezes não tem o produto. Onde os comerciantes se abastecem?

Sempre aparece alguém oferecendo carne de caça, eu não compro, mas com certeza alguns restaurantes estão comprando, senão não teria a oferta. Quem criou esta situação?

Pessoas sem comprometimento com a tradição, a história e com os moradores de Bonito.

Esteve em Bonito um cientista Alemão fazendo uma pesquisa de Pós Doutorado e me perguntou por que sou uma pessoa triste e respondi que não vou conseguir ver Bonito tendo o respeito que merece e o cidadão valorizado.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Maioridade


Hoje meu casamento completa 21 anos, segundo nosso Código Civil, com 21anos se adquire a maioridade e agora já posso sair de casa. Sou um casado liberado assim diz a Lei, estou livre, mas muito preocupado. O que vou fazer da vida?

Reencontrar velhos amigos, freqüentar o Taboa, o Etílico fechou, diminui as opções... Ir à Marta! Adquiri direito e sou livre, mas também o liberado tem responsabilidades, compromissos e estou com medo desta porta que se abriu. A estrada é sinuosa, não existem pontes, só mata-burros.

Sou livre, mas muito preocupado com o que vai acontecer, tenho cinqüenta e tantos anos, velho, pobre, feio, não sou ator, músico, nem professor universitário. Que moça bonita se encantaria comigo?

É assustador, tenho casa, comida, roupa lavada e passada, uma mulher que me agüentou todos estes anos. Não é mais aquela mocinha bonita, mais continua bonita e ainda acreditem, diz que me ama. Como é possível?

Fico pensando, a liberdade, emancipação, um mundo aberto a te esperar. Volto algumas décadas atrás quando me formei e tinha o mundo a conquistar e voltei pra casa de meus pais, a segurança conhecida e garantida, só saí depois de casado. Pensando bem, não vou sair de casa, fico com o certo, não vou atrás do duvidoso, apesar da oportunidade.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Caça aos terroristas


Final dos anos sessenta, país inteiro caçando terrorista, eis que em Bonito, terra de homens valentes como todo povo do interior, também comungando o pensamento anticomunismo, emanados de Brasília, um jipe com quatro homens mal encarados, com o clássico perfil de foragido, barba por fazer e sujos. Passearam pela cidade fazendo perguntas assustadoras.

Onde é o banco?

Quantas agências têm?

Tem correio?

Se o comércio é forte.

Qual a maior loja?

Tem policiais?

Etc...

Neste dia crucial para a sobrevivência da cidade, os inimigos esqueceram suas desavenças e para um bem maior se juntaram para combater os terroristas, pois era obrigação destes bravos munícipes prenderem os bandidos e ajudar a salvar além da cidade a pátria mãe ameaçada. Juntam-se os heróis e partem a caça dos marginais.

Noite inesquecível pra mim, passamos acordados no escuro, com a casa toda fechada, juntamente com os filhos e esposas dos bravos justiceiros. O tempo todo se rezava e chorava preocupadas com a segurança de seus esposos; nós, crianças quase apanhavam, levamos muitos beliscões, pois queríamos sair na rua. Não foi fácil ficar em casa esperando o pai voltar do combate. Passei por essa experiência que durou uma noite, mas, existiu.

Como todos eles eram exímios caçadores não foi difícil seguir os rastros da caça. Encontrá-la, fazer o cerco e dar o bote. O campo de batalha foi à porteira de entrada da casa do saudoso Jairo Fontoura, “pai da Andréia do Taboa”, onde hoje é o hotel do Afonsinho. A batalha mais rápida e limpa da história de Bonito, nenhum tiro precisou ser disparado, nenhuma baixa, imaginem, nenhuma gota de sangue, os inimigos estavam... Dormindo!

Pegaram os meliantes, amarram usando o jipe dos prisioneiros e mais o do Adão Lima, fizeram o que todo bom patriota teria a obrigação de fazer. Foram entregá-los ao exército na cidade de Jardim, na época a CER3, administrada por militares. Eis que os bravos brasileiros chegam ao QG da CER e entregam os prisioneiros e recebem a informação bombástica, os prisioneiros eram militares disfarçados também caçando terroristas.

“Não posso dar nomes aos heróis, pois não consigo lembrar todos, seria antiético com os bravos lutadores da legalidade da época”.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Nos anos 90

Nos anos 90 recebi em minha casa um professor espanhol, estava em Campo Grande, pois a UCDB tinha um convenio com uma grande universidade na Espanha, na área de turismo. E ele fez um comentário; notou que todas as empresas da cidade eram pequenas e tinham o perfil do dono. Achou muito interessante. Disse a ele que este era um dos motivos que eu acreditava na perpetuidade de Bonito no turismo. Ele concordou comigo, pois, segundo ele, era caso raro de se encontrar. Baseado em uma das minhas inúteis teorias, turismo de interior é uma volta ao passado, quando você vai ao interior está procurando lembranças bonitas do passado, como o Brasil, até 70 era um país rural. Mesmo o cosmopolitano tem um pé no interior. Quando começamos éramos interessantes por este motivo. Tínhamos um carinho com nosso cliente. Eles eram uma pessoa, hoje virou um número.

Passados mais de 10 nos da visita deste professor, hoje faço um comentário diferente, há alguns anos comecei a dizer que se você for à maior parte das empresas de Bonito, voltadas para o turismo, às 9h da manhã, 3h da tarde e 9h da noite, você dificilmente encontrará um dono trabalhando; Hotel, loja de artesanato, agência de turismo. Perdemos a identidade e a preocupação com o turista.

Está, praticamente toda a cidade, em mãos de funcionários.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A CURVA CHEGOU

Há muitos anos ouvi de uma pessoa, muito querida, Professor Joâo Francisco uma teoria referente ao turismo. Teoria esta criada por um renomado professor, inclusive levava seu nome, dizia que todo novo local tinha um prazo para acabar o movimento e cair no ostracismo. Era mais ou menos assim: Normalmente um novo destino é descoberto pelos ricos. O movimento começava, o local ficava em evidência, logo vinha a classe média e o crescimento estagnava. O rico fugia e após a fuga do grande consumidor vinha o pobre. Começava aí a decadência, por que as classes não dividem o mesmo lugar. Por conta disto o nível de produto no mercado caía muito, a exigência diminuía e tudo se vulgarizava.

Ele dizia que em Bonito também seria assim.

Prontamente discordei, pois eu sempre imaginei que Bonito tomaria outro rumo, e não o que tomou. Disse que Bonito, por ter suas peculiaridades, seria eterno. Esta síndrome não aconteceria aqui, pois nós tínhamos a felicidade de sermos únicos, uma perola no universo do turismo. Disse também que todos os lugares conhecidos eram públicos e normalmente praia, que éramos propriedades particulares e com produtos para todas as pessoas. Nós não teríamos este problema, pois temos produtos para todas as classes sociais, e com um atenuante muito forte: limite de pessoas e os atrativos mais exclusivos com horário marcado. Coisa única e quase exclusividade em Bonito. Disse a época, o Eduardo e testemunha, que Aquário, Sucuri e Prata teriam, a curto prazo, preços de U$ 70,00, só que, chegamos à mídia, crescemos, ficamos famosos e não mudamos. Ficamos parados no tempo, novos destinos apareceram; produtos simples com investimento estrutural de qualidade, coisa que não aconteceu conosco. Nossos atrativos evoluíram em estrutura, a cidade não. Nossos atrativos, com exceção da Gruta, que é administrada pela prefeitura e continua a mesma desorganização de sempre, estão preparados para todas as classes sociais, a cidade não. Nas discussões que tinha no passado. Sempre acreditei que teríamos hotelaria com qualidade para um público exigente, consequentemente lojas, restaurantes etc., errei, a nossa hotelaria esta preparada para um público bem pouco exigente em conseqüência disso o nível da cidade caiu, em função do que oferecemos , o padrão do turista caiu. Temos turistas exigentes acostumados a viajar, freqüentando o que o mundo tem de qualidade. Estes saem insatisfeito conosco.

A curva chegou.

Tivemos movimento, mas novas catástrofes aconteceram este ano:

- Rio de Janeiro

- São Paulo

- Minas Gerais

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Porq estudar

Em 2000 fui candidato a prefeito, novo milênio , novos sonhos.

Como já disse anteriormente, sou o primeiro bonitense nascido e criado aqui que volta formado, o Hérico veio antes de mim, mas se criou em Campo Grande. Minha preocupação sempre foi com o desprezo que a cidade tem com a educação, não temos hoje nenhum bonitense fazendo uma universidade publica com certa dificuldade de acesso. Mas, voltando a 2000, descobri uma realidade que muito me assustou, chamei de síndrome da quinta serie, pois em praticamente em todos os lugares em que chegava e tinha um jovem de até 20 anos e eu perguntava: Você estuda? A resposta era não. Parou em que série? - Na quinta - respondiam eles.

Passados dez anos, continuo preocupado com rumo tomado pela nossa cidade, vejo que o estudar não tem valor para a atual administração e nem nunca teve. Como a comunidade poderia ter se não tem exemplo a ser seguido? Observando e tentando entender, acredito ter chegado a uma triste conclusão, olhando nossa cidade, e tendo por base, principalmente, os empresários de turismo e os salários pagos aos trabalhadores. Não vejo um motivador para o estudo. Sem bons salários e oportunidade de crescimento, qual o motivo do excluído se dedicar ao estudo? Tivemos uma faculdade que fechou. Nela havia dois cursos interessantes para a cidade, mas não houve procura pelos nossos jovens. Temos agora uma universidade publica, com os mesmos dois cursos, Turismo e Administração, novamente há desmotivação por parte dos jovens e falta de engajamento do poder publico municipal e da comunidade, que não consegue enxergar a importância da vinda desta Universidade para nossa cidade.

Imagino que eles estão fazendo sempre a mesma pergunta: Vale a pena estudar? Estudar para, depois de vários anos perdidos em uma escola, ganhar o mesmo salário que meus pais, que não estudaram, estão ganhando? Como esperar mudanças em uma sociedade onde o ser humano não tem nenhum valor, não é visto e nem respeitado? Uma cidade formada por guetos de pseudos importantes que não se inserem na comunidade por acharem que este povo não serve nem pra trabalhar e estudar e nunca vão ser nada?

Estava conversando com um funcionário que está terminando o ensino médio, e ele me disse que não fez vestibular ou Enem. Quando perguntei o por que ele disse que foi por total falta de informação, pois ninguém comentou com ele, sobre a importância de termos em Bonito uma universidade pública, gratuita, e como seria importante a participação destes jovens inseridos nesta universidade.

O que é normal para você que teve um berço diferente? Isto é, sua família, seus pais e os pais de seus amigos sempre priorizaram a educação. Para esta comunidade as margens das informações deste novo Brasil, a educação não é prioridade. Se nós, que fomos abençoados em nascermos nessas famílias, em que a evolução é a meta do ser humano, não fizermos nada, mudança nenhuma acontecerá.